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Economia

Poupança registra maior retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro de 2026 e sinaliza migração para investimentos mais rentáveis

06 fev 2026 - 14h08 Joice Gomes   atualizado às 14h10
Poupança registra maior retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro de 2026 e sinaliza migração para investimentos mais rentáveis Retirada líquida da poupança em janeiro de 2026 chega a R$ 23,5 bilhões. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A poupança brasileira enfrentou um janeiro desafiador em 2026. Os saques superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões, conforme relatório divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (6).

No mês, os brasileiros aplicaram R$ 331,2 bilhões na caderneta, mas retiraram R$ 354,7 bilhões. Os rendimentos creditados somaram R$ 6,4 bilhões, mantendo o saldo total pouco acima de R$ 1 trilhão.

Esse movimento não é isolado. A poupança registra saídas líquidas há anos, com retiradas de R$ 87,8 bilhões em 2023, R$ 15,5 bilhões em 2024 e impressionantes R$ 85,6 bilhões em 2025.

Despesas de início de ano impulsionam saques

Janeiro tradicionalmente pressiona a poupança devido a gastos sazonais, como IPVA, material escolar e quitação de dívidas de fim de ano. Em 2026, essa tendência se repetiu, com retiradas 10,3% menores que em janeiro de 2025, quando foram R$ 26,2 bilhões.

Os dados do Banco Central mostram que o estoque da caderneta fechou 2025 em R$ 1,02 trilhão, após depósitos de R$ 4,27 trilhões e saques de R$ 4,36 trilhões no ano inteiro. Esse quinto ano consecutivo de saídas reflete mudanças no comportamento dos poupadores.

  • Depósitos em janeiro 2026: R$ 331,235 bilhões
  • Retiradas: R$ 354,747 bilhões
  • Retirada líquida: R$ 23,5 bilhões
  • Rendimentos: R$ 6,4 bilhões
  • Saldo total: R$ 1,02 trilhão (aprox.)

Selic alta torna caderneta menos atrativa

A taxa Selic em 15% ao ano, mantida pelo Copom desde julho de 2025, é o principal vilão da poupança. Quando a Selic supera 8,5%, a caderneta rende 0,5% ao mês mais TR, cerca de 6,17% ao ano, bem abaixo de opções como CDBs que pagam 110% do CDI.

Investidores migram para renda fixa mais rentável, isenta de IR na poupança mas com yields superiores em outros ativos. O endividamento familiar em 49,3% da renda e inadimplência em 3,8% também forçam resgates para cobrir despesas.

O Copom planeja cortes a partir de março, mas manterá juros restritivos para conter inflação. O IPCA acumulou 4,26% em 2025, impulsionado por transportes e passagens aéreas, acima da meta de 3%.

Impactos no crédito imobiliário e rural

A poupança financia grande parte do crédito imobiliário e rural via SBPE. Em janeiro, a captação líquida do SBPE foi negativa em R$ 20,3 bilhões, e no rural, R$ 5,9 bilhões negativos.

Depósitos no crédito imobiliário somaram R$ 281,9 bilhões, contra saques de R$ 302,2 bilhões. No rural, R$ 44,9 bilhões aplicados e R$ 50,8 bilhões retirados. Rendimentos foram R$ 4,3 bilhões no SBPE e R$ 1,6 bilhão no rural.

Essa fuga de recursos pressiona o sistema financeiro. Analistas preveem volatilidade em 2026, ano eleitoral, com bolsa oscilando por pesquisas, mas bom desempenho esperado apesar dos riscos.

Alternativas à poupança ganham força

Com Selic elevada, Tesouro Selic, LCIs e LCAs atraem poupadores. A poupança ainda vence a inflação pelo quarto ano, mas perde feio para o CDI, que rendeu 9,65% acima do IPCA em 2025.

Especialistas como Francisco Weliton Barroso destacam a baixa atratividade da caderneta em cenários de juros altos e inflação resiliente. A isenção de IR é vantagem, mas não compensa o yield menor.

O Banco Central monitora o fluxo para evitar impactos no crédito. Para 2026, projeções indicam continuidade das saídas da poupança, salvo cortes agressivos na Selic.

Os poupadores devem diversificar, avaliando risco e liquidez. A migração para renda fixa pós-fixada reflete maturidade do mercado brasileiro, priorizando rentabilidade sobre tradição.

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