Imposto de Renda 2026 já gera dúvidas entre contribuintes antes da divulgação oficial das regras.
(Imagem: Canva)
Mesmo sem a divulgação oficial do calendário e das regras pela Receita Federal, o Imposto de Renda 2026 já começa a entrar no radar dos contribuintes. Algumas mudanças estão desenhadas, enquanto outras seguem em discussão, mantendo dúvidas que se repetem ano após ano.
Para quem tem pouco tempo ou não lida com frequência com questões tributárias, entender o que já pode ser observado desde agora nem sempre é simples. Muitas confusões não surgem de regras novas, mas de detalhes do cotidiano financeiro que passam despercebidos e acabam gerando problemas mais adiante.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam quais cuidados já podem ser tomados no início do ano para ganhar tempo, reduzir erros e evitar surpresas durante o período de entrega da declaração.
Pontos de atenção desde já
| Ponto de atenção | Por que isso importa agora |
| Isenção não dispensa declaração | Mesmo sem imposto a pagar, pode haver obrigação de declarar |
| Pré-preenchida não é automática | Dados exigem conferência manual |
| Rendas fora do salário | Entradas extras costumam ser esquecidas |
| Cruzamento de dados | A Receita compara informações automaticamente |
| Organização antecipada | Reduz erros, estresse e risco de multa |
Faixa de isenção e redução gradual: quando passam a valer?
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda é uma das principais novidades anunciadas. A proposta prevê isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e um modelo de transição para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350, com redução gradual do imposto.
A mudança busca evitar o chamado “efeito degrau”, quando um pequeno aumento salarial gera uma cobrança desproporcional de imposto.
“Para evitar esse impacto, foi criado um redutor adicional, permitindo que o imposto aumente de forma gradual conforme a renda cresce”, explica Marcos Vinicius do Nascimento, sócio do Tahech Advogados.
⚠️ Importante: essas regras não valem para a declaração do IR 2026. Elas se aplicam aos rendimentos de 2026, que só serão ajustados em 2027.
Mesmo isento, preciso declarar?
Essa é uma das confusões mais comuns entre os contribuintes. Isenção do imposto não significa dispensa da declaração.
“A isenção trata apenas da retenção mensal. Já a obrigação de declarar depende de outros critérios definidos pela Receita”, explica Andrea Machado Gomes, diretora operacional da Contafarma.
Ganhos de capital, operações na bolsa, posse de bens acima de determinado valor e rendimentos isentos que ultrapassam limites legais podem tornar a declaração obrigatória, mesmo sem imposto retido na fonte.
Ignorar essa diferença pode gerar multa e deixar o CPF irregular.
Declaração pré-preenchida ajuda ou exige cuidado?
A declaração pré-preenchida trouxe mais agilidade e reduziu omissões, mas não elimina a necessidade de revisão. O sistema importa dados de bancos, empresas e instituições financeiras, porém nem todas as informações são preenchidas automaticamente.
Dados patrimoniais, como imóveis, reformas e valores históricos de aquisição, continuam sob responsabilidade do contribuinte.
“A pré-preenchida é um rascunho avançado. A responsabilidade legal pelas informações segue sendo de quem declara”, alerta Marcos Vinicius.
Preciso declarar rendas fora do salário?
Sim. Rendimentos fora do contracheque tradicional estão entre os principais motivos de inconsistência na declaração.
Aluguéis, trabalhos como freelancer, serviços eventuais e ganhos por plataformas digitais costumam ser esquecidos, mesmo quando os valores parecem baixos. O problema é que quem paga geralmente informa esses dados à Receita, o que gera divergência automática.
Como funciona o cruzamento de dados da Receita?
A Receita Federal cruza informações de bancos, corretoras, empresas, INSS, cartórios, planos de saúde e plataformas digitais. O sistema não interpreta contexto, apenas compara números.
“Se a fonte informou um valor e o contribuinte declarou outro, mesmo com pequena diferença, a inconsistência é detectada”, explica o especialista.
Erros comuns que levam à malha fina
Mesmo sem mudanças relevantes nas regras, alguns erros continuam frequentes:
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Omissão de rendimentos de dependentes
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Inclusão de despesas médicas sem comprovação válida
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Dedução de gastos não permitidos por lei
“Incluir dependentes sem declarar a renda deles é um erro recorrente e facilmente detectável”, reforça Andrea Gomes.
O que já dá para organizar antes do prazo oficial?
Não é preciso esperar o anúncio da Receita para começar. Reunir documentos desde já reduz falhas e torna o processo mais tranquilo.
Entre os principais itens estão:
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Informes de rendimentos
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Comprovantes de despesas dedutíveis
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Documentos de compra e venda de bens
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Dados atualizados de dependentes
“Centralizar a documentação e revisar bens e direitos é a melhor forma de evitar a malha fina”, orienta Marcos Vinicius.