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Trabalho

Recorde: 4,1 milhões afastados por doenças em 2025 no Brasil

27 jan 2026 - 15h15 Joice Gomes   atualizado às 15h18
Recorde: 4,1 milhões afastados por doenças em 2025 no Brasil Em 2025, doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores no Brasil, maior índice desde 2021. Coluna e saúde mental dominam estatísticas do INSS. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os números de 2025 revelam uma realidade alarmante no mundo do trabalho brasileiro: doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas atividades, marcando o maior volume desde 2021.

Dados do Ministério da Previdência Social mostram um aumento de 17,1% em relação ao ano anterior. Esse crescimento reflete não apenas problemas físicos crônicos, mas também o avanço acelerado de questões emocionais no ambiente laboral.

As licenças por incapacidade temporária, conhecidas como auxílio-doença, são concedidas pelo INSS após os primeiros 15 dias de afastamento, custeados pela empresa. Cada caso exige perícia médica rigorosa.

Coluna segue no topo do ranking

Pelo terceiro ano consecutivo, as dores nas costas lideram as causas de afastamento, com 237.113 concessões de benefícios. A dorsalgia continua sendo o calcanhar de Aquiles dos trabalhadores brasileiros.

Logo atrás, transtornos de disco intervertebral registraram 208.727 casos. Problemas como hérnias e lesões por esforço repetitivo afetam especialmente quem lida com cargas pesadas ou posturas inadequadas.

Motoristas de aplicativos, carregadores de supermercado e operadores industriais compõem o perfil mais vulnerável. A repetição dessas lideranças aponta para falhas estruturais na ergonomia das empresas.

  • Dorsalgia: 237.113 afastamentos;
  • Hérnia de disco: 208.727 casos;
  • Outras lesões na coluna: cerca de 180 mil licenças.

Saúde mental dispara nos índices

Os transtornos mentais somaram mais de 546 mil afastamentos em 2025, alta de 15% ante 2024 e maior número em dez anos. Juntos, ocupam a segunda posição geral das causas.

A ansiedade liderou com 166.489 licenças médicas, seguida pela depressão (126.608 casos). Outros quadros como estresse pós-traumático e dependência química também cresceram significativamente.

Esse fenômeno ganhou força pós-pandemia, agravado por home office desestruturado, metas irreais e incertezas econômicas. São Paulo lidera com 149 mil casos mentais, seguido por Minas Gerais (83 mil).

Mecanismo das licenças médicas

O processo é bem definido: primeiros 15 dias são pagos pela empresa. Do 16º dia em diante, o INSS assume mediante perícia que avalia laudos médicos e capacidade laboral.

O benefício equivale a 91% da média salarial das últimas contribuições. Pode ser prorrogado conforme recuperação, e uma mesma pessoa pode ter múltiplas licenças anuais.

Empresas investem cada vez mais em Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Ginástica laboral, pausas programadas e suporte psicológico reduzem até 30% esses afastamentos.

Custo bilionário para o país

Os 4,1 milhões de afastamentos custam cerca de R$ 30 bilhões anuais à Previdência e às empresas, impactando produtividade e famílias. É dinheiro que poderia ir para prevenção.

O fenômeno transcende números: reflete um Brasil estressado, com posturas inadequadas e pressões emocionais crescentes. A Norma Regulamentadora NR-17 (ergonomia) ganha ainda mais relevância.

Para 2026, especialistas defendem integração SUS-Previdência com telemedicina ampliada e incentivos fiscais para empresas preventivas. Quebra do estigma sobre saúde mental também é urgente.

Esses dados não são apenas estatística fria. Representam doenças que afastaram 4,1 milhões de trabalhadores, suas lutas diárias e o chamado urgente por trabalho mais humano e saudável.

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