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Sanitário

SUS inicia novo tratamento contra malária em crianças no Brasil

05 mar 2026 - 21h40 Alexsander Arcelino
profissionais de saúde realizando atendimento relacionado ao tratamento contra malária em unidade do SUS Novo tratamento contra malária começa a ser aplicado em crianças pelo SUS. (Imagem: TV Brasil Reprodução)

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a utilizar um novo tratamento contra malária voltado para crianças menores de 16 anos. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde e inclui a distribuição da tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes que pesam entre 10 kg e 35 kg.

Até então, o medicamento era disponibilizado apenas para jovens e adultos com mais de 16 anos. Com a nova estratégia, o governo busca ampliar o acesso ao tratamento contra malária entre o público infantil, que representa cerca de metade dos casos registrados da doença no Brasil.

A distribuição do medicamento está sendo realizada de forma gradual, priorizando regiões da Amazônia, onde a incidência da doença é maior.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer esse tipo de tratamento específico para crianças dentro de um sistema público de saúde.

Inicialmente, estão sendo distribuídos 126.120 comprimidos da nova versão pediátrica da tafenoquina, com o objetivo de reforçar as ações de controle da doença em áreas consideradas prioritárias.

Novo medicamento reduz recaídas e facilita tratamento

O tratamento contra malária com tafenoquina é indicado para pacientes com infecção causada pelo parasita Plasmodium vivax, desde que tenham peso superior a 10 kg e não estejam grávidas ou em período de amamentação.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento tem apresentado bons resultados ao reduzir as recaídas da doença e diminuir a possibilidade de transmissão.

Uma das principais vantagens da nova formulação está no esquema de administração. Diferentemente do tratamento anterior, que podia durar até 14 dias, o novo medicamento pode ser aplicado em dose única.

Essa mudança tende a facilitar a adesão ao tratamento, especialmente entre crianças, além de trazer mais praticidade para familiares e profissionais de saúde.

A pasta destacou que a dose única ajuda a garantir a eliminação completa do parasita no organismo, contribuindo também para evitar novos episódios da doença.

Distribuição começa em regiões com maior incidência

Para viabilizar a implementação do novo tratamento contra malária, o Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 970 mil na compra do medicamento.

Até o momento, já foram recebidas 64.800 doses, que estão sendo direcionadas para áreas com maior concentração de casos, principalmente na região amazônica.

Entre os locais que receberão o medicamento estão os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.

Esses territórios concentram aproximadamente 50% dos casos de malária registrados em crianças e adolescentes de até 15 anos.

O primeiro território a receber o medicamento foi o DSEI Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos da nova formulação.

Amazônia concentra quase todos os casos do país

A malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública na região amazônica, especialmente em áreas isoladas e em territórios indígenas.

Fatores geográficos, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e vulnerabilidade social contribuem para a persistência da doença nesses locais.

Atualmente, cerca de 99% dos casos de malária registrados no Brasil ocorrem na Amazônia.

Em 2025, o país registrou 120.659 casos da doença, o menor número desde 1979. O resultado representa uma redução de aproximadamente 15% em comparação com o ano anterior.

Nas áreas indígenas, a queda foi de cerca de 16% no mesmo período.

Segundo o Ministério da Saúde, o combate à doença também envolve outras medidas, como monitoramento epidemiológico, busca ativa de casos, distribuição de testes rápidos e ações de controle do mosquito transmissor.

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