O teleatendimento SUS para mulheres em situação de violência chega a Recife e Rio de Janeiro em março.
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Mulheres expostas à violência ou em vulnerabilidade psicossocial que residem no Recife e no Rio de Janeiro terão acesso a teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir deste mês de março. O serviço representa um avanço no suporte psicológico remoto, integrando profissionais como psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Essa medida visa identificar riscos precocemente e articular redes de apoio.
O cronograma do Ministério da Saúde estabelece que, em maio, o teleatendimento SUS alcançará cidades com mais de 150 mil habitantes. Já em junho, a cobertura se estenderá a todo o país, garantindo acessibilidade em diferentes regiões. A iniciativa surge em resposta à necessidade de atendimento rápido e confidencial para vítimas e mulheres em risco.
Como acessar o serviço
O acesso ao teleatendimento SUS ocorrerá por encaminhamento de unidades básicas de saúde (UBS), serviços de atenção primária ou rede de proteção à mulher. Alternativamente, as interessadas poderão utilizar diretamente o aplicativo Meu SUS Digital, onde um mini app dedicado entrará em funcionamento até o fim do mês. No cadastro inicial, a usuária informa sua situação, e o sistema agenda automaticamente a consulta.
A primeira sessão foca na avaliação de riscos, identificação da rede de apoio familiar e social, além das demandas específicas de cada caso. Com base nisso, profissionais articulam o acompanhamento contínuo com serviços de referência locais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o modelo envolve pactuação com estados e municípios para maior efetividade.
- Encaminhamento por UBS ou rede de proteção à mulher.
- Cadastro via app Meu SUS Digital para agendamento automático.
- Primeira consulta identifica riscos e demandas imediatas.
- Equipe multidisciplinar inclui psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.
Escala e parcerias envolvidas
Estão previstos 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos por ano por meio de parcerias com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Essa capacidade reflete o compromisso em ampliar o atendimento em saúde mental, especialmente para mulheres em vulnerabilidade. O serviço oferecerá pelo menos oito sessões iniciais por usuária, com possibilidade de extensão conforme necessidade.
O teleatendimento SUS não se restringe a vítimas confirmadas de violência, mas abrange também aquelas que sinalizam riscos ou enfrentam extrema vulnerabilidade psicossocial. Essa abordagem preventiva busca interromper ciclos de agressão antes que escalem para situações mais graves, como feminicídios. Profissionais como terapeutas ocupacionais poderão atuar em casos específicos, promovendo reabilitação integral.
- Parceria com AgSUS e Proadi-SUS garante 4,7 milhões de atendimentos anuais.
- Início em março no Recife e Rio de Janeiro.
- Expansão em maio para cidades acima de 150 mil habitantes.
- Cobertura nacional completa em junho.
Contexto e relevância social
A violência contra a mulher permanece um desafio persistente no Brasil, com impactos profundos na saúde mental e física das vítimas. Iniciativas como o teleatendimento SUS complementam ações existentes, como a Central Ligue 180 e salas lilás em unidades de saúde. Ao oferecer suporte remoto, o serviço facilita o acesso em áreas remotas ou para mulheres que enfrentam barreiras logísticas para deslocamento.
O ministro Alexandre Padilha mencionou semelhanças com outros teleatendimentos recentes, como o para compulsão por jogos eletrônicos, mas enfatizou adaptações para melhor integração com a atenção primária. Essa estratégia fortalece a rede de proteção, permitindo intervenções ágeis que podem salvar vidas e promover autonomia feminina. Especialistas apontam que o atendimento psicológico precoce reduz sequelas emocionais e facilita reinserção social e laboral.
Outras medidas recentes reforçam o compromisso do SUS, como a regulamentação para reconstrução dentária em vítimas de violência doméstica e propostas para inclusão de código específico de feminicídio na CID da OMS. O teleatendimento SUS insere-se nesse ecossistema, priorizando prevenção e acolhimento humanizado. Com a expansão nacional, espera-se maior visibilidade e utilização do serviço, impactando positivamente milhares de mulheres anualmente.
A implementação demonstra a capacidade do SUS em inovar com tecnologias digitais, como aplicativos e teleconsultas, para democratizar o acesso à saúde. Mulheres em situação de risco agora contam com uma ferramenta adicional para romper o silêncio e buscar ajuda profissional sem exposição imediata. O monitoramento da iniciativa revelará sua efetividade em reduzir indicadores de violência de gênero a médio prazo.