Especialistas alertam que o planejamento constante de roteiros pode funcionar como um mecanismo de fuga psicológica
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Conhecer novos destinos e explorar culturas diferentes figuram entre os desejos mais comuns da maior parte da população global. Contudo, para um grupo específico de pessoas, o prazer de arrumar as malas ultrapassa os limites do lazer e se transforma em uma urgência psicológica avassaladora. Trata se de um comportamento em que o indivíduo mal retorna de um passeio e já manifesta sintomas de ansiedade aguda para esquematizar a próxima partida.
Esse impulso incontrolável de deslocamento geográfico permanente recebe o nome técnico de dromomania dentro dos estudos de saúde mental. A expressão tem origem em termos antigos que fazem alusão ao ato de correr e à obsessão. Historicamente, o diagnóstico clínico era associado a pacientes com quadros severos de psicose que caminhavam sem rumo pelas cidades, mas o conceito moderno ganhou novas interpretações sociais.
Os gatilhos emocionais e os riscos da necessidade de estar sempre na estrada
Atualmente, a psicologia social identifica a condição em pessoas que utilizam as viagens constantes como uma espécie de dependência comportamental. Os especialistas apontam que o desejo cego por novas rotas frequentemente é disparado por crises no ambiente familiar, estresse corporativo severo ou traumas emocionais profundos. O indivíduo passa a enxergar as rodovias ou os aeroportos como uma rota de fuga temporária para não encarar as frustrações da própria realidade.
O hábito saudável do turismo se transforma em uma patologia quando o cidadão passa a comprometer o seu patrimônio financeiro e as suas relações afetivas para sustentar as despesas. Há registros de pessoas que acumulam dívidas impagáveis em cartões de crédito apenas para garantir as passagens. O sofrimento também se manifesta no retorno para casa, gerando quadros profundos de depressão que impedem o cumprimento das obrigações profissionais.
A reabilitação nesses casos envolve o acompanhamento terapêutico focado em identificar os motivos que geram a insatisfação com a vida cotidiana. Os psicólogos orientam que o paciente precisa aprender a encontrar bem estar em sua rotina ordinária, sem depender da necessidade de estar sempre na estrada para se sentir completo. O tratamento busca equilibrar o amor genuíno pela aventura com a estabilidade emocional e financeira indispensável para o cotidiano.