Elementos bioativos presentes na polpa roxa do fruto foram testados por laboratórios universitários
(Imagem: Canva)
O consumo de um dos frutos mais tradicionais da Região Norte do Brasil ganhou um novo e importante argumento científico focado na saúde mental. Pesquisadores constataram que as propriedades biológicas da iguaria amazônica possuem potencial para atuar diretamente na proteção do sistema nervoso central. Os testes laboratoriais revelaram que os elementos químicos naturais do alimento exercem uma função capaz de amenizar disfunções associadas à ansiedade e à melancolia profunda.
A investigação científica foi motivada pelo relato histórico de moradores de comunidades ribeirinhas do Estado do Pará, que habitualmente associam o consumo diário da polpa a uma nítida sensação de calmaria corporal. Diante desse cenário cultural, os especialistas do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia iniciaram testes para isolar as substâncias químicas responsáveis pela pigmentação escura do fruto e mapear suas reações no organismo.
Os testes laboratoriais e a capacidade neuroprotetora do açaí
Para isolar as variáveis da pesquisa, os cientistas desenvolveram uma bebida translúcida purificada, contendo apenas os polifenóis da fruta e retirando componentes estruturais como óleos, açúcares e fibras densas. Esse extrato concentrado foi administrado em cobaias que se encontravam em período biológico equivalente ao início da adolescência humana. A dosagem aplicada mimetizou o volume médio ingerido habitualmente pela população que reside na região metropolitana de Belém.
Após um ciclo de consumo monitorado de dez dias, os animais passaram por avaliações de comportamento projetadas para medir o estresse e as reações emocionais. Os resultados práticos indicaram uma estabilização nos níveis de agitação das cobaias, confirmando a capacidade neuroprotetora do açaí em atuar de forma positiva no fluxo de neurotransmissores do cérebro. O processo demonstrou eficácia contundente no controle de respostas nervosas típicas do comportamento ansioso.
Os coordenadores do projeto universitário explicaram que as substâncias ativas conseguem intervir de forma benéfica em fases cruciais de amadurecimento dos tecidos cerebrais. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento futuro de suplementos nutracêuticos padronizados voltados ao suporte psicológico de jovens. Os dados do levantamento reforçam a importância da preservação das espécies nativas da floresta como fontes de insumos para a medicina moderna.