O Move Brasil já aprovou quase R$ 2 bilhões em financiamentos para renovar a frota de caminhões, promovendo eficiência operacional.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O programa Move Brasil registrou resultados expressivos em seu primeiro mês. Lançado no início de janeiro de 2026, ele liberou cerca de R$ 2 bilhões em operações de crédito destinadas à compra de caminhões novos e seminovos.
Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin, o Move Brasil atende a uma demanda urgente do setor de transporte rodoviário, que sofreu com a queda de 9,2% nas emplacamentos em 2025.
Causa da crise no mercado
A retração nas vendas de caminhões ganhou força em 2025, impulsionada por juros elevados que superavam 20% ao ano. Essa realidade encareceu financiamentos para transportadores, especialmente aqueles ligados à agricultura e exportações, setores que bateram recordes de produção.
Dados da Anfavea apontam para uma queda de 20,5% nos pesados, categoria mais afetada. Em janeiro de 2026, as vendas caíram 34,67% ante o mesmo mês de 2024, evidenciando a necessidade de intervenções como o Move Brasil para reaquecer o mercado.
Transportadores autônomos e empresas de médio porte foram os mais impactados, adiando renovações de frota envelhecida. Veículos antigos, muitos com padrões Euro 0 ou 2, geram maiores custos com combustível e manutenção, além de emissões elevadas.
Detalhes operacionais do programa
Com dotação inicial de R$ 10 bilhões via BNDES, o Move Brasil foca na renovação de frota com veículos fabricados a partir de 2012. Desses recursos, R$ 1 bilhão é reservado para autônomos e cooperativas, ampliando o alcance.
- Juros reduzidos para 13% a 14% ao ano, contra taxas de mercado bem mais altas.
- Prazo de pagamento de até 60 meses, com carência inicial de seis meses.
- Garantia de até 80% via Fundo Garantidor de Investimentos (FGI).
- Benefícios extras para quem desmonta e recicla caminhões antigos.
Até o momento, 1.152 contratos foram aprovados, com ticket médio de R$ 1,1 milhão. A ênfase recai sobre produção nacional, alinhando-se à política da Nova Indústria Brasil e gerando empregos em montadoras e na cadeia de suprimentos.
Efeitos na economia e meio ambiente
O impacto econômico é imediato. Cada caminhão novo estimula a geração de seis empregos indiretos, segundo executivos de montadoras como Scania. Concessionárias reportam alta de mais de 30% na demanda por financiamentos.
No âmbito ambiental, o Move Brasil retira de circulação veículos poluentes, substituindo-os por modelos mais eficientes que cortam o consumo de diesel em até 20%. Isso responde a pressões internacionais por logística verde.
O setor responde positivamente. Um exemplo é o transportador de Santa Isabel que, com o programa, comprou seu 29º veículo, prevendo economia de R$ 200 por viagem longa e novas contratações. Sindicatos metalúrgicos destacam o diálogo tripartite entre governo, empresas e trabalhadores.
Desafios superados e olhares para o futuro
O Move Brasil destrava um mercado paralisado pelos juros altos, coincidindo com safra agrícola 17,9% maior e exportações de US$ 349 bilhões em 2025. Especialistas preveem aceleração nos emplacamentos a partir de março.
Sem data de validade fixa, o programa segue até o esgotamento dos recursos. Alckmin sinaliza estudos para sua perpetuação, convertendo-o em instrumento permanente de modernização da frota, que responde por 65% do frete no país.
Projeções indicam potencial para 6 mil unidades adicionais vendidas em 2026, beneficiando toda a cadeia. Com Selic em trajetória descendente, o Move Brasil pavimenta recuperação robusta no terceiro e quarto trimestres.
Interessados acessam o programa por meio do Portal BNDES ou bancos credenciados, apresentando documentação sobre critérios de sustentabilidade e origem nacional dos veículos. A iniciativa reforça a competitividade brasileira em um mundo de cadeias globais mais exigentes.
Assim, o Move Brasil não só alivia pressões imediatas, mas posiciona o transporte rodoviário para ganhos de eficiência duradouros, sustentando o crescimento econômico nacional.