Descubra como o Fundo Amazônia aporta R$ 80 milhões para produção agrícola comunitária sustentável.
(Imagem: Prefeitura de São José do Xingu (MT))
O Fundo Amazônia acaba de liberar R$ 80 milhões para estimular a produção agrícola comunitária em comunidades amazônicas. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (3) e faz parte do projeto Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, com gestão do BNDES.
Os recursos, não reembolsáveis, financiarão no mínimo 32 iniciativas produtivas em nove estados da Amazônia Legal. A ação conta com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Foco em inclusão social e preservação
O edital prioriza organizações de povos indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores artesanais e cooperativas de agricultores familiares. Propostas que incluam maior número de famílias, liderança feminina e jovens terão pontuação extra, especialmente se trabalharem com produtos da sociobiodiversidade.
Os investimentos abrangem compra de equipamentos, infraestrutura produtiva e assistência técnica. Limite de R$ 2,5 milhões por projeto garante ampla distribuição dos recursos, atendendo demandas variadas da região.
- Estados contemplados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão (parte), Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
- Produtos incentivados: açaí, castanha, mandioca, frutas nativas e pescados regionais.
- Programas de comercialização: PAA, PNAE e SocioBio Mais.
Fortificação da cadeia produtiva local
Para Edegar Pretto, presidente da Conab, o aporte vai modernizar a produção agrícola comunitária, agregando valor aos produtos da floresta. "Isso estrutura toda a cadeia, desde a colheita até a comercialização formal", destacou o gestor.
Tereza Campello, do BNDES, reforçou o impacto na geração de renda e segurança alimentar. Já Lilian Rahal, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), celebrou a integração entre políticas ambientais e sociais na iniciativa do Fundo Amazônia.
O projeto Amazônia Viva, iniciado em dezembro passado, dispõe de R$ 96,5 milhões totais. Desses, R$ 80 milhões vão para produção e R$ 16,5 milhões para estudos e monitoramento de resultados.
Estratégias para escoamento e mercado
Marina Silva, ministra do MMA, classificou as comunidades como verdadeiros guardiões da floresta. Paulo Teixeira, do MDA, enfatizou o reconhecimento econômico dos saberes tradicionais na produção agrícola comunitária.
Os projetos financiados incluem desde silos e câmaras frias até sistemas de energia limpa e logística fluvial. Essa infraestrutura facilita vendas diretas a programas federais, eliminando intermediários e elevando a rentabilidade.
- Formalização de associações para participação em licitações públicas.
- Capacitação em gestão e certificação de produtos orgânicos.
- Apoio técnico para melhoria de produtividade sem desmatamento.
Desde 2008, o Fundo Amazônia canaliza recursos internacionais para conservação, com doadores como Noruega e Alemanha. Este edital reforça a bioeconomia como alternativa ao desmatamento, provando que floresta em pé gera prosperidade.
Organizações com experiência comprovada na Amazônia podem se inscrever pelo site da Conab. Oficinas virtuais orientarão a elaboração de propostas, ampliando o alcance da produção agrícola comunitária sustentável.
A medida alinha-se a metas nacionais de redução da fome e proteção ambiental. Ao valorizar o trabalho comunitário, o governo constrói um modelo de desenvolvimento que une cultura, economia e preservação.
Analistas preveem que os 32 projetos beneficiem milhares de famílias, fortalecendo a resiliência local frente a mudanças climáticas. O Fundo Amazônia segue como referência global em financiamento verde.
Interessados têm prazo definido no edital para envio de documentação. A seleção priorizará impacto ambiental positivo e viabilidade econômica, garantindo multiplicação dos benefícios sociais.