Evite boatos após casos Master e Will Bank: confira Basileia, FGC e alertas visuais.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
As liquidações do Banco Master em novembro de 2025 e do Will Bank em janeiro de 2026 abalaram a confiança no sistema financeiro brasileiro. Rumores e fake news sobre supostas falências multiplicaram-se nas redes sociais. Felizmente, o Banco Central oferece ferramentas públicas e gratuitas para checar a saúde financeira do seu banco de forma confiável.
Esses recursos permitem analisar balanços, riscos e autorizações sem depender de fontes duvidosas. Consumidores e investidores ganham autonomia para decisões seguras em um ano marcado por instabilidades pontuais. Este guia detalha cada etapa prática.
Confirme autorização oficial primeiro
Todo banco legítimo deve estar registrado e supervisionado pelo Banco Central. Acesse o portal Meu BC, vá em Serviços e clique em Encontre uma instituição. Busque pelo nome exato e verifique o status atual.
Instituições sem essa chancela operam fora da lei e sem proteção ao cliente. O Master, por exemplo, funcionava sob regime especial antes da liquidação por grave crise de liquidez. Essa checagem inicial filtra riscos imediatos.
- Site oficial: Encontre uma instituição.
- Status possível: funcionamento normal, liquidação ou intervenção.
- Cooperativas de crédito também precisam dessa validação oficial.
Essa consulta leva menos de um minuto e é o ponto de partida obrigatório para qualquer análise de saúde financeira do seu banco.
Acesse as principais bases de dados
Três fontes oficiais concentram demonstrações financeiras transparentes. A Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN) do BC revela balanços completos após selecionar a instituição no Encontre uma Instituição.
O Banco Data apresenta gráficos coloridos – verde para bom, laranja para atenção, vermelho para risco – facilitando a visualização rápida. Complemente com o site de Relações com Investidores (RI) de cada banco, obrigatório por lei e encontrado via Google com "nome do banco RI".
- CDSFN: dados auditados desde 2019, com séries históricas.
- Banco Data: ratings intuitivos e comparações setoriais.
- Página RI: cartas aos acionistas e análises gerenciais simplificadas.
No Will Bank, esses portais exibiam Índice de Basileia negativo meses antes da liquidação, sinalizando problemas graves de capital.
Entenda os indicadores críticos
O termômetro principal da saúde financeira do seu banco é o Índice de Basileia, que compara capital próprio aos riscos de crédito e operações. No Brasil, exige-se no mínimo 11% para bancos comuns e 13% para cooperativos; acima de 15% é considerado robusto.
Para cada R$ 100 emprestados, um Basileia de 11% significa R$ 11 de recursos próprios para cobrir perdas. Monitore também inadimplência (empréstimos vencidos +90 dias), imobilização de ativos e lucro líquido consistente. Ratings internacionais de Moody's, S&P ou Fitch confirmam ou contradizem os números.
- Basileia: essencial para absorver calotes; acompanhe trimestralmente.
- Inadimplência: acima de 5% merece cautela em bancos médios.
- Lucro recorrente: prejuízos seguidos indicam má gestão.
- Imobilização: excesso em imóveis reduz liquidez em crises.
Bancos sistêmicos como Nubank e Itaú ostentam Basileia acima de 18% em relatórios de 2025, contrastando com os casos problemáticos recentes.
Proteção do FGC explicada
O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por conglomerado bancário, totalizando R$ 1 milhão renovável a cada quatro anos. Elegíveis: poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, depósitos a prazo e operações compromissadas qualificadas.
Exclusões importantes incluem CRI, CRA, debêntures, fundos de investimento (CNPJ separado) e títulos públicos – estes últimos protegidos diretamente pelo Tesouro Nacional. Na liquidação do Master, o FGC arcará com bilhões para 1,6 milhão de clientes afetados.
- Garantidos: CDB até 250k, LCI/LCA com FGC.
- Não garantidos: ações, fundos RF, depósitos judiciais.
- Processo: liquidante BC paga via FGC em até 30 dias após decreto.
Sempre confirme cobertura específica no site oficial do FGC antes de alocar recursos significativos.
Identifique ofertas perigosas
Rentabilidades acima de 115% do CDI em CDBs de instituições menores gritam risco. O Banco Master captava a 140% do CDI meses antes do colapso, atraindo investidores incautos. Taxas extraordinárias sinalizam desespero por caixa.
Outros alertas: queda progressiva no Basileia, rebaixamentos de rating, notícias de investigações policiais ou entrada em regimes como RAET (Administração Especial Temporária). Evite pânico, mas aja com dados frios.
O sistema financeiro nacional segue sólido em 2026, com liquidações representando menos de 1% dos ativos totais, segundo o BC. Ainda assim, vigilância é essencial.
Dicas finais de proteção patrimonial
Diversifique: limite 10% do patrimônio por banco. Monitore mensalmente via apps do BC. Prefira Tesouro Direto para baixa risco ou emissões de gigantes como Bradesco e Santander, com FGC e ratings AAA.
Casos Master e Will reforçam: saúde financeira do seu banco se mede por números oficiais, não por WhatsApp. Empodere-se com informação precisa e durma tranquilo.
Em um cenário de juros altos e Selic projetada em 12,5% para 2026, escolhas informadas maximizam retornos com segurança. O BC continua atuando preventivamente para estabilidade sistêmica.