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Dívida

Dívida pública federal sobe 18% em 2025 e ultrapassa R$ 8,6 tri

28 jan 2026 - 17h56 Joice Gomes   atualizado às 17h58
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Dívida pública federal sobe 18% em 2025 e ultrapassa R$ 8,6 tri Juros altos e emissões de títulos impulsionaram o endividamento, dentro do planejado pelo governo. (Imagem: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo)

O Tesouro Nacional revelou que a Dívida Pública Federal (DPF) fechou 2025 em R$ 8,635 trilhões, um aumento de 18% em relação aos R$ 7,316 trilhões de 2024. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela incorporação de R$ 879,9 bilhões em juros ao longo do ano. Além disso, o governo emitiu R$ 439,06 bilhões a mais em títulos do que resgatou, ampliando o estoque da dívida.

Apesar da expressiva alta, o resultado ficou dentro da meta revisada do Plano Anual de Financiamento (PAF), que previa entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o fim do ano. Em dezembro, a DPF subiu 1,82%, refletindo emissões líquidas e apropriação de juros no período.

Dívida interna dispara com Selic elevada

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) avançou 19,26%, passando de R$ 6,967 trilhões para R$ 8,309 trilhões. No último mês de 2025, o Tesouro emitiu R$ 60,82 bilhões líquidos, com foco em títulos atrelados à Taxa Selic, que estava em 15% ao ano. Essa apropriação mensal de juros, que soma R$ 82,82 bilhões só em dezembro, pressiona o endividamento devido aos juros básicos elevados.

A Selic em patamar alto atrai investidores para esses papéis, mas eleva o custo da dívida pública federal. O governo emitiu R$ 65,37 bilhões em títulos internos no mês, enquanto resgates foram baixos, em R$ 4,55 bilhões, graças a poucos vencimentos prefixados.

Dívida externa cai, mas dólar pressiona em dezembro

Contrabalançando a alta interna, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) recuou 6,62%, de R$ 349,19 bilhões para R$ 326,07 bilhões, beneficiada pela queda do dólar ao longo de 2025. No entanto, em dezembro, houve alta de 3,53%, puxada pela valorização de 3,16% da moeda americana. Fatores como tensões com o governo de Donald Trump e remessas ao exterior antes da reforma do Imposto de Renda influenciaram essa variação.

  • DPMFi: alta de 19,26% no ano, foco em Selic;
  • DPFe: queda de 6,62%, mas oscilação mensal;
  • Emissões líquidas: R$ 439,06 bilhões em 2025.

Colchão de liquidez e composição dos títulos

O colchão da dívida pública federal, reserva para turbulências, caiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão em dezembro, devido a emissões líquidas negativas no mês. Ainda assim, cobre 7,33 meses de vencimentos, com R$ 1,507 trilhão previstos nos próximos 12 meses.

Na composição, títulos Selic subiram para 48,25%, inflação para 25,93%, prefixados em 22,05% e câmbio em 3,76%. Isso alinha-se ao PAF, que prevê Selic entre 48% e 52%, inflação de 24% a 28%, prefixados de 19% a 23% e câmbio de 3% a 7%. Papéis prefixados oferecem previsibilidade, mas em instabilidade, emissões caem por exigência de juros altos.

Os títulos Selic ganham apelo com as altas do Copom, enquanto a dívida cambial inclui títulos internos corrigidos em dólar e dívida externa. O prazo médio da DPF caiu de 4,08 para 4 anos, sinalizando menor confiança em prazos longos.

Quem detém a dívida e perspectivas para 2026

Instituições financeiras lideram com 32,88%, seguidas por fundos de pensão (22,76%), fundos de investimento (20,79%) e não-residentes (10,35%). Estrangeiros subiram de 10,05% em novembro, apesar de tensões no mercado.

A dívida pública federal representa empréstimos do governo a investidores, corrigidos por Selic, inflação, dólar ou prefixado. Para 2026, projeções indicam alta para 83,6% do PIB, pressionada por juros elevados. O Tesouro alerta para trajetória ascendente até 2032, em 88,6% do PIB, demandando disciplina fiscal.

Com Selic mantida em 15% na primeira reunião de 2026, o custo da dívida segue alto, impactando contas públicas. Analistas preveem possível ciclo de cortes a partir de março, mas dependente de inflação e reformas. O governo busca equilibrar emissões e resgates para gerir o endividamento sustentável.

  • Instituições financeiras: 32,88%;
  • Fundos de pensão: 22,76%;
  • Não-residentes: 10,35%, em alta;
  • Projeção 2026: 83,6% do PIB.

Esses números reforçam a necessidade de monitoramento atento da dívida pública federal, em um cenário de juros altos e incertezas globais. O Tesouro Nacional continua ajustando estratégias para manter a sustentabilidade das finanças públicas.

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