Mercado fonográfico nacional cresce 14,1% em 2025, alcançando R$ 3,958 bi e 8ª posição global.
(Imagem: Rawpick/Freepick)
O setor fonográfico brasileiro fechou 2025 com números impressionantes: faturamento de R$ 3,958 bilhões, alta de 14,1% ante o ano anterior, segundo dados da Pró-Música Brasil.
Resultado que impulsionou o país ao oitavo lugar no ranking mundial da IFPI, saltando do nono posto ocupado em 2024 e confirmando 16 anos seguidos de crescimento acima da média global.
Esse desempenho coloca o Brasil como potência musical, com receitas próximas dos R$ 4 bilhões e influência crescente no cenário internacional.
Streaming Domina e Nacional Predomina
O streaming foi o grande responsável pela expansão, com R$ 3,4 bilhões arrecadados em plataformas digitais, crescimento de 13,2% e fatia de 87% do total.
Serviços como Spotify, YouTube Music e Apple Music registraram salto no número de assinantes pagos, enquanto o consumo de música brasileira explodiu: 94% das 50 músicas mais reproduzidas no país foram nacionais.
Henrique & Juliano lideraram com 3,5 bilhões de streams, seguidos por pagodeiros e sertanejos como Diego & Victor Hugo, cujo hit "Tubarões" viralizou. O Brasil ficou em quarto global em volume de plays, totalizando 410,2 bilhões.
Vinil e Físico Ressurgem
Em meio ao digital, as mídias físicas surpreenderam com alta de 25,6%, alcançando R$ 16 milhões só em vinil – melhor marca desde 2017.
Paulo Rosa, presidente da Pró-Música, explica que a geração mais jovem redescobre o prazer tátil dos discos, impulsionada por edições limitadas e nostalgia. "Vinil vira experiência premium e ferramenta de engajamento para shows", diz ele.
Esse nicho, ainda que pequeno (menos de 1% das receitas), sinaliza diversificação e pode inspirar retornos de CDs e outros formatos.
Direitos e Ecossistema Saudável
Direitos conexos por execução pública também cresceram, distribuindo valores justos a produtores fonográficos, músicos e intérpretes.
Gravadoras investem pesado em A&R (artistas e repertório), marketing e turnês, formando um ciclo que beneficia toda a cadeia: de estúdios a eventos ao vivo.
O Brasil se consolida como hub da economia da música na América Latina, atraindo parcerias globais e exportando talentos para playlists internacionais.
Fraudes no Streaming: Uma Ameaça Persistente
O otimismo vem com alertas: fraudes artificiais corroem o mercado, com bots inflando streams para roubar royalties de artistas reais.
A Pró-Música mapeou e denunciou casos ao Ministério Público, levando ao bloqueio de 60 sites ilegais em 2025 – total de 130 nos últimos anos, incluindo provedores estrangeiros via decisões judiciais.
"Esses esquemas desviam milhões e desestimulam investimentos", alerta Rosa, cobrando ferramentas antifraude mais robustas das plataformas.
Inteligência Artificial: Novo Desafio Ético
Mais preocupante ainda é a inteligência artificial generativa, que treina modelos com gravações protegidas sem permissão para criar "covers" ou faixas sintéticas concorrentes.
O setor clama por legislação urgente no Congresso, equilibrando inovação tecnológica com salvaguarda de direitos autorais e conexos.
Sem regulação, a IA pode inundar o mercado com conteúdo de baixa qualidade, diluindo o valor da criação humana autêntica.
Trajetória de Superação
A Pró-Música, que sucedeu a ABPD em 2016, acompanha o setor desde 1958 e testemunha a virada pós-pirataria dos anos 2000.
O crescimento acelerou: de 21,7% em 2024 (R$ 3,486 bi, 9º lugar) para 14,1% agora, superando médias regionais e mundiais de 6,4% nos últimos 16 anos.
- 2023: 10º global, abaixo de R$ 3 bi.
- 2024: R$ 3,486 bi (+21,7%).
- 2025: R$ 3,958 bi (+14,1%), rumo aos US$ 1 bi.
Esses números refletem maturidade: mais assinaturas premium, combate à pirataria e foco em exportação cultural.
Impactos Econômicos e Culturais
Além dos lucros, o boom fonográfico gera empregos em produção, distribuição e eventos, injetando bilhões na economia criativa.
Música brasileira domina charts locais e ganha espaço global, com gêneros como sertanejo, funk e MPB em ascensão fora do país.
Gravadoras planejam 2026 com otimismo, apostando em diversificação de receitas de NFTs a sync licensing para games e publicidade.
Os dados reforçam: o Brasil não é só consumidor, mas produtor de hits mundiais. Com governança forte e inovação responsável, o setor pode mirar o top 5 global nos próximos anos.
Para artistas emergentes, o momento é de oportunidade; para o público, de playlist infinita e acessível.