Nascido na cidade de Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino aprendeu o ofício nos ateliês de alta-costura de Paris.
(Imagem: Reprodução/Instagram/Valentino Garavani)
O mundo da moda está de luto. Valentino Garavani, um dos maiores nomes da moda italiana, faleceu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em sua residência em Roma, cercado por entes queridos. A Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti confirmou a notícia, destacando que o estilista partiu em paz.
Nascido em 11 de maio de 1932, em Voghera, no norte da Itália, Valentino descobriu sua paixão pela moda ainda criança, inspirado por filmes de Hollywood. Aos 17 anos, mudou-se para Paris, onde estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, trabalhando com mestres como Jean Desès e Guy Laroche.
Da Itália ao topo do mundo fashion
De volta à Itália no final dos anos 1950, Valentino abriu seu ateliê em Roma, na prestigiada Via Condotti, em 1959, com apoio do pai. Em 1960, conheceu Giancarlo Giammetti, que se tornou seu sócio nos negócios e companheiro de vida por décadas, transformando a grife em um império global.
O grande salto veio em 1962, com a primeira coleção apresentada no Palazzo Pitti, em Florença. O sucesso foi imediato: encomendas internacionais e elogios da Vogue francesa consagraram o talento do italiano. Em 1967, recebeu o Neiman Marcus Award, o "Oscar da moda", em Dallas.
- 1968: Cria o vestido de noiva de Jacqueline Kennedy para seu casamento com Aristóteles Onassis.
- 1967: Lança a primeira coleção masculina e as divisas para comissárias da TWA.
- Adota o logo "V" como assinatura exclusiva.
O vermelho que mudou a moda para sempre
O Valentino Garavani eternizou o "vermelho Valentino", um tom vibrante e sensual inspirado em uma mulher que viu em Barcelona na juventude. Essa cor icônica se tornou sinônimo de elegância jet-set, vestindo celebridades como Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn e Jackie O.
Durante os anos 1960 e 1970, a moda italiana ganhou força graças a ele, rivalizando com Paris. Valentino consolidou Roma como capital da alta-costura, com vestidos românticos, cortes impecáveis e um luxo acessível ao glamour internacional. Sua grife expandiu para prêt-à-porter, acessórios, perfumes e até hotéis.
Clientes ilustres incluíam princesas, atrizes e primeiras-damas. Ele criou looks para o período de luto de Jackie Kennedy após a morte de JFK e vestidos para eventos reais, como os da princesa Margaret. O estilo de Valentino era descrito como "chic jet-set", misturando sofisticação com ousadia.
Legado eterno e adeus à alta-costura
Em 2008, após vender a marca nos anos 1990 mas manter o cargo criativo, Valentino se aposentou, passando o bastão para designers como Alessandra Facchinetti, Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli. Mesmo afastado, sua influência perdura nas coleções da grife, que hoje pertence ao grupo Mayhoola.
O velório ocorrerá na quarta e quinta-feira, com funeral marcado para sexta-feira (23) em Roma. Famosos já lamentam a perda nas redes sociais, destacando seu impacto na moda italiana. "Valentino definiu elegância", escreveu um ícone da indústria.
- Fundador da Maison Valentino em 1960, símbolo do Made in Italy.
- Parceria vitalícia com Giancarlo Giammetti, desde os anos 1960.
- Premiações: Neiman Marcus (1967) e incontáveis reconhecimentos internacionais.
- Expansão: Alta-costura, ready-to-wear, acessórios e fragrâncias.
A partida de Valentino Garavani marca o fim de uma era. Aos 93 anos, ele deixa não só negócios bilionários, mas um conceito de beleza atemporal que continua a inspirar gerações. O vermelho Valentino continuará brilhando nos tapetes vermelhos do mundo.
Com mais de 60 anos de carreira, o estilista vestiu gerações e ditou tendências que transcendem épocas. Sua jornada, de Voghera a Roma, é um capítulo glorioso da história da moda, provando que o verdadeiro luxo é eterno.