Governo fluminense adia inauguração parcial do novo MIS em Copacabana nesta quinta (26).
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
A tão aguardada inauguração parcial da nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana, foi adiada pelo governo do Rio de Janeiro. Previsto para esta quinta-feira (26), o evento agora depende de nova data, anunciada em breve pelo Executivo estadual.
A decisão reflete o momento delicado vivido pelo estado, com a vacância no cargo de governador após a renúncia de Cláudio Castro. O interino Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça, assumiu as rédeas e optou por postergar cerimônias de grande porte para focar na estabilidade administrativa.
Cenário político dita ritmo de grandes projetos
A renúncia de Cláudio Castro ocorreu às vésperas de julgamento no TSE por suposto abuso de poder nas eleições de 2022. Sem governador nem vice, a Assembleia Legislativa (Alerj) organiza eleição indireta para definir chapa tampão até dezembro de 2026. O processo, com voto secreto dos deputados, pode ocorrer ainda esta semana.
Esse vácuo de poder impacta diretamente iniciativas culturais de visibilidade, como a do MIS. Autoridades priorizam a continuidade dos serviços essenciais, adiando inaugurações que demandam logística complexa e presença de autoridades. O governador interino acionou o TSE para esclarecer se a escolha será direta ou indireta, mas o cronograma cultural sofre os reflexos imediatos.
Outros compromissos do museu, porém, seguem firmes. A corrida "MIS a MIS", no domingo (29), reunirá mais de 3 mil corredores entre a sede histórica da Praça XV e a nova estrutura em Copacabana, celebrando a conexão entre tradição e modernidade.
Das origens pioneiras à espera por Copacabana
Criado em 1965 pelo governador Carlos Lacerda, durante as festas do IV Centenário da cidade, o MIS marcou história como o primeiro museu audiovisual da América Latina. Instalado em prédio centenário na Praça XV, resgatado da Exposição de 1922, o espaço nasceu com a missão de salvaguardar a memória sonora e visual do Brasil.
Seu acervo impressiona: 500 mil itens catalogados em sete coleções principais, do sonoro ao iconográfico. Gravuras de Augusto Malta, discos raros de Jacob do Bandolim, depoimentos de Elizeth Cardoso e Nara Leão formam o coração da instituição. O projeto "Depoimentos para a Posteridade" guarda 900 relatos orais, somando 4 mil horas de áudio sobre a vida carioca.
Desde 2010 na Lapa, as reservas técnicas mantêm tudo climatizado e seguro. Cesar Miranda Ribeiro, presidente da Fundação MIS, reforça que a preservação nunca foi interrompida, mesmo com as obras da nova sede avançando paralelamente.
Arquitetura icônica e nova proposta cultural
Localizado no 3.432 da Avenida Atlântica, o edifício de oito andares assinado por Diller Scofidio + Renfro dialoga com o calçadão de Copacabana. Ondas de concreto remetem à praia, enquanto terraço aberto promete sessões de cinema ao ar livre e restaurante com vista panorâmica.
O custo escalou para R$ 90 milhões, ante os R$ 70 milhões iniciais. Diferente das unidades tradicionais, o espaço aposta em interatividade digital: andares temáticos sobre humor carioca, MPB, TV brasileira e transformações urbanas. Poucos itens físicos do acervo ocuparão vitrines; a ênfase fica na tecnologia imersiva.
O Museu Carmen Miranda, antes no Aterro, integra o projeto, ampliando o apelo. "Queremos um MIS turístico e educativo, que converse com o público jovem via experiências modernas", define Ribeiro. A proximidade com hotéis e o mar pode atrair milhões de visitantes anuais, revitalizando a orla cultural.
Desafios crônicos e otimismo para o futuro
Os 16 anos de obras expõem mazelas de grandes empreendimentos públicos no Brasil: licitações demoradas, trocas de gestão e imprevistos orçamentários. Ainda assim, o MIS resiste com programação ativa, como a mostra "Janete Clair 100 Anos" e uso de IA em novos depoimentos.
Parcerias com o Museu do Samba e eventos internacionais, a exemplo do Fórum de Museus Audiovisuais, mantêm o pulso vivo. A nova sede chega em hora estratégica, coincidindo com a Maratona do Rio em junho de 2026, potencializando sinergias esportivas e culturais.
O adiamento frustra, mas não apaga o brilho de um patrimônio que influenciou MIS em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Para cariocas e turistas, Copacabana ganha mais um ícone, pronto para narrar a alma sonora da cidade.
- Acervo intacto: 500 mil itens em reservas da Praça XV e Lapa.
- Obras 100% concluídas, faltando mobiliário e testes técnicos.
- Eleição na Alerj pode ocorrer com 30 deputados presentes.
- Correia de 10 km une sedes antigas e novas, dia 29.
- Desde 1965, MIS lidera preservação audiovisual no país.
- Inspiração para rede nacional de museus similares.
Enquanto a política se rearranja, o Museu da Imagem e do Som espera seu momento. Sua abertura promete transformar Copacabana em polo de memória viva, ecoando ritmos, vozes e imagens que definem o Rio há gerações.