Troféus e prêmios do guitarrista Victor Biglione em destaque na nova exposição no Rio de Janeiro.
(Imagem: gerado por IA)
A Casa Tao Brasil, reduto cultural no coração da Lapa, no Rio de Janeiro, abre suas portas nesta sexta-feira (15), às 19h, para uma homenagem histórica. A exposição Victor Biglione - Seis Cordas para as Estrelas celebra cinco décadas de uma das trajetórias mais prolíficas e respeitadas da música mundial.
Mais do que uma simples exibição, o evento marca o jubileu de ouro do músico que detém o título de guitarrista com o maior número de participações em gravações na história da MPB. Com entrada gratuita, a mostra promete mergulhar o público na intimidade criativa de um artista que moldou sons fundamentais do nosso cancioneiro nacional.
Nascido na Argentina e radicado no Brasil desde 1964, quando chegou como foragido político, Biglione transformou o exílio em uma potente contribuição cultural. Segundo o Instituto Cultural Cravo Albin, sua assinatura sonora está presente em mais de mil fonogramas, unindo diferentes gerações de ouvintes em torno de seu virtuosismo.
O que está por trás das seis cordas de Biglione
A curadoria, assinada por Cesar Oiticica Filho, reuniu um acervo impressionante de cerca de 150 itens. O público poderá ver de perto objetos que são verdadeiras relíquias, como as guitarras e violões utilizados em álbuns clássicos de nomes como Cássia Eller, Roberto Carlos e Andy Summers, do The Police.
Além dos instrumentos, a exposição conta com pôsteres, quadros e vídeos que narram bastidores de grandes festivais e estúdios. Um dos destaques é o registro histórico do duelo musical entre a guitarra de Biglione e a voz cristalina de Gal Costa, um momento que sintetiza a capacidade do instrumentista em dialogar com os gigantes da arte.
Na prática, isso muda a forma como percebemos a construção da música brasileira. Ver de perto o instrumento que gravou solos icônicos aproxima o fã do processo artesanal da criação. É um resgate necessário para entender a evolução do rock, do blues e do jazz em solo nacional nas últimas décadas.
Por que esta trajetória é fundamental para a música
Os números de Biglione impressionam até os veteranos da indústria: são 25 prêmios, incluindo dois Grammys e dois Kikitos, além de participações em mais de 55 turnês internacionais. Mas o impacto vai além das estatísticas e se traduz na versatilidade de quem transitou entre o experimentalismo do Som Imaginário e o pop refinado de A Cor do Som.
Para o músico, este é o momento de festejar uma "luta maravilhosa" de 50 anos. A exposição não é apenas um olhar para o passado, mas uma celebração da vitalidade técnica que o levou a colaborar com mais de 300 nomes da música popular brasileira ao longo de sua caminhada.
A abertura oficial contará com uma apresentação especial do próprio homenageado, transformando a Lapa em um palco de virtuosismo. A mostra segue aberta até 17 de julho, oferecendo uma oportunidade rara de percorrer meio século de história sonora sem custos para o visitante, de segunda a sábado.
Encerrar essa jornada pelos corredores da Casa Tao é compreender que a música de Victor Biglione é, na verdade, uma ponte entre fronteiras e estilos. Ao expor suas ferramentas de trabalho e suas conquistas, o Rio de Janeiro reafirma a importância de preservar a memória daqueles que construíram a identidade cultural do país.