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Museu da Imagem e do Som

Após 20 anos de espera, novo MIS abre as portas em Copacabana com proposta revolucionária

O novo MIS RJ abre em Copacabana após 20 anos. Com arquitetura de 'boulevard vertical', o museu inicia fase parcial com exposição sobre sua construção.

09 mai 2026 - 10h58 Joice Gomes   atualizado às 11h01
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Após 20 anos de espera, novo MIS abre as portas em Copacabana com proposta revolucionária O novo prédio do MIS na Avenida Atlântica utiliza o conceito de boulevard vertical integrado à orla. (Imagem: gerado por IA)

A orla de Copacabana acaba de recuperar um de seus espaços mais emblemáticos, agora sob uma roupagem que desafia a arquitetura tradicional. Após quase duas décadas de uma espera marcada por interrupções e grandes expectativas, o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro abriu parcialmente suas portas ao público. O prédio icônico na Avenida Atlântica, erguido no terreno da antiga Boate Help, não é apenas um novo museu; é uma extensão vertical do calçadão mais famoso do mundo.

A inauguração acontece de forma escalonada, começando pela exposição "Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som". Localizada no térreo e no mezanino, a mostra convida o visitante a mergulhar nos bastidores de um projeto que levou 16 anos para sair do papel, revelando os croquis, maquetes e os desafios técnicos de erguer uma estrutura de tal complexidade à beira-mar. Na prática, isso muda mais do que parece: é o primeiro passo para consolidar o Rio como um hub cultural contemporâneo.

O projeto, assinado pelo renomado escritório americano Diller Scofidio + Renfro, foi pensado para ser democrático. Ao contrário de museus fechados e imponentes, o novo MIS se integra à paisagem através de escadarias externas que funcionam como mirantes. Essa integração com o desenho de Burle Marx cria uma fluidez rara, onde a rua e a instituição se confundem, convidando tanto o turista quanto o morador local para uma experiência estética gratuita já na fachada.

O que está por trás de duas décadas de construção

A trajetória até aqui foi sinuosa. O concurso internacional que definiu o design do museu ocorreu em 2008, mas o cronograma original foi atropelado por crises fiscais, mudanças de gestão e os impactos globais da pandemia. Dividida em três etapas, a obra viu desde a demolição do antigo prédio em 2010 até a paralisação total em 2016. Retomar o ritmo exigiu uma engenharia financeira robusta, unindo recursos públicos e parcerias privadas via Lei Rouanet.

Mas o impacto vai além da estrutura física. Durante a abertura, gestores destacaram que o financiamento híbrido foi essencial para garantir a continuidade do projeto. A história da construção do MIS acaba sendo um espelho da própria história recente do Rio de Janeiro: um relato de resiliência e adaptação diante de percalços econômicos. E é aqui que está o ponto central: o museu ressurge como um símbolo de retomada da economia criativa no estado.

Como o museu afetará a experiência cultural no Rio

Quando estiver totalmente concluído, com previsão para o primeiro trimestre de 2027, o MIS abrigará um acervo colossal de mais de 1 milhão de itens. Entre os tesouros guardados estão coleções raras de Carmen Miranda, Pixinguinha e do fotógrafo Augusto Malta. A proposta é que cada andar conte uma faceta da "cariocidade", abordando desde a Bossa Nova e o Cinema Novo até a história do funk e das noites cariocas no subsolo.

Além das galerias, o complexo contará com um auditório subterrâneo de 280 lugares localizado a dez metros de profundidade, um restaurante panorâmico e um terraço com cinema ao céu aberto. Para visitantes como a professora de arte Marta Azambuja, de 93 anos, que foi a primeira a retirar o ingresso, o diferencial é a integração com a natureza. A sensação é de que o museu não apenas guarda a história, mas permite que ela seja vista através do horizonte de Copacabana.

A reabertura do MIS representa o fechamento de uma lacuna cultural que durava gerações. Ao transformar o asfalto em um mirante vertical, o Rio ganha não apenas um depósito de memórias, mas um organismo vivo que promete pulsar no ritmo da cidade, reafirmando que a cultura é o ativo mais valioso de uma metrópole que nunca para de se reinventar.

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