Equipes de resgate e Defesa Civil atuam em áreas alagadas na Paraíba após decreto de calamidade pública.
(Imagem: MIDR/Divulgação)
A força das águas que atinge a Paraíba desde a última sexta-feira (1º) transformou o cenário de diversos municípios em um estado de emergência crítica. Diante do rastro de destruição e do isolamento de comunidades, o governador Lucas Ribeiro decretou oficialmente estado de calamidade pública, permitindo uma resposta administrativa mais ágil e a liberação de recursos urgentes para assistência humanitária.
Na prática, a medida abre caminho para que técnicos da Defesa Civil Nacional comecem a atuar diretamente no auxílio às prefeituras a partir deste domingo (3). O foco inicial é a reconstrução das infraestruturas mais castigadas e o suporte direto aos mais de 16 mil cidadãos que tiveram suas vidas viradas pelo avesso pela força da natureza. O balanço atualizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional é doloroso: duas vidas foram perdidas e o contingente de desabrigados não para de crescer.
Atualmente, 624 paraibanos estão desalojados e outros 703 encontram-se em abrigos públicos, dependendo inteiramente da assistência governamental para itens básicos como alimentação e higiene. Mas o impacto vai muito além dos números; ele se traduz em famílias que perderam tudo o que construíram em décadas de trabalho.
O que muda na prática com a força-tarefa de resgate
Para enfrentar a crise, uma mobilização militar sem precedentes foi ativada em solo paraibano. O Corpo de Bombeiros já realizou cerca de 390 atendimentos, operando em condições adversas para garantir a segurança da população em áreas de difícil acesso. Ao todo, 746 militares estão nas ruas, apoiados por aeronaves e embarcações para alcançar locais isolados pelas inundações repentinas.
Os resgates, que já somam mais de 300 pessoas retiradas de situações de risco iminente, concentram-se em municípios como Bayeux, Rio Tinto, Mamanguape, Sapé e na Região Metropolitana de João Pessoa. O trabalho é uma corrida contra o tempo, especialmente em encostas e áreas propensas a novos deslizamentos de terra, onde o solo permanece instável.
E é aqui que está o ponto central: a infraestrutura básica do estado também sofreu golpes severos. A crise no abastecimento de água emergiu como um dos maiores desafios logísticos, afetando milhares de famílias que agora dependem de operações emergenciais para o consumo mínimo diário.
Como a crise afeta o abastecimento e a saúde pública
Na Grande João Pessoa, a rotina doméstica tornou-se um desafio de paciência e economia. A Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (CAGEPA) informou que opera com apenas 50% de sua capacidade nos sistemas Marés e Translitorânea. Bairros como Valentina, Manaíra e Bessa estão passando por um sistema de rodízio rigoroso enquanto as equipes tentam recuperar as unidades motoras afetadas pelas inundações.
Além da sede, a preocupação com a saúde pública ganha contornos urgentes com o recuo lento das águas. O monitoramento sanitário foi intensificado para prevenir surtos de doenças como leptospirose e infecções diarreicas, ameaças silenciosas que costumam surgir após grandes enchentes. A orientação das autoridades é evitar qualquer contato direto com a lama residual.
O cenário regional ainda inspira cautela máxima, com o vizinho Pernambuco também enfrentando uma situação dramática. A Defesa Civil Nacional mantém o alerta laranja para o litoral de ambos os estados, sinalizando que o risco de novos alagamentos e deslizamentos permanece real. A reconstrução será lenta, mas a prioridade agora é manter a vigilância ativa para evitar que o luto se estenda a mais famílias paraibanas.