Lula e Alckmin
(Imagem: Divulgação)
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu uma ação apresentada pelo partido Novo que pede a cassação da chapa formada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleitos em 2026. A iniciativa questiona possíveis irregularidades durante a campanha eleitoral e aponta suposto abuso de poder político.
A decisão foi assinada nesta quinta-feira (5), pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O magistrado determinou que os investigados sejam notificados para apresentar defesa no prazo de cinco dias.
Além da cassação dos registros ou diplomas da chapa, o partido Novo solicita que Lula e Alckmin sejam declarados inelegíveis por oito anos.
A admissão da ação significa que o pedido reúne condições legais para tramitar na Justiça Eleitoral. A decisão, entretanto, não representa condenação dos investigados nem confirma a existência de abuso de poder político.
Por que o partido Novo pede a cassação de Lula e Alckmin?
Na representação apresentada ao TSE, o Novo acusa o governo federal de utilizar medidas administrativas e econômicas para favorecer eleitoralmente a chapa presidencial.
Segundo a legenda, Lula editou 35 medidas provisórias e decretos entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026. O partido argumenta que as iniciativas criaram ou ampliaram benefícios à população em um período próximo às eleições.
A sigla compara o número de medidas adotadas neste ano com o total registrado nos três anos anteriores do governo Lula.
De acordo com o levantamento apresentado pelo Novo, foram 17 medidas semelhantes em 2023, quatro em 2024 e outras 14 em 2025. Para o partido, o volume de iniciativas em 2026 indicaria possível utilização da estrutura governamental em benefício eleitoral.
A legenda também estima que as medidas questionadas tenham impacto financeiro de aproximadamente R$ 73 bilhões.
Bolsa Família está entre as medidas questionadas
Entre os exemplos apresentados pelo partido está o reajuste do Bolsa Família, programa de transferência de renda que atende aproximadamente 19,29 milhões de famílias, segundo os dados citados na ação.
O Novo sustenta que a ampliação de benefícios sociais durante o período eleitoral poderia representar favorecimento à candidatura presidencial.
A representação também questiona outras iniciativas econômicas e medidas de apelo popular adotadas pelo governo federal.
As alegações fazem parte dos argumentos apresentados pela legenda e ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral.
O que decidiu o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva?
Ao admitir a ação, o corregedor-geral do TSE considerou que a petição apresenta fatos determinados, identifica os atos normativos questionados e reúne elementos que permitem delimitar o objeto da investigação.
Na decisão, Cueva destacou que a documentação apresentada possibilita o exercício do direito de defesa dos investigados.
O ministro também apontou que a ação foi apresentada dentro do prazo legal, antes da diplomação de Lula e Alckmin.
Com a notificação, os integrantes da chapa terão cinco dias para apresentar suas manifestações. Após essa etapa, o magistrado poderá decidir sobre o prosseguimento da investigação ou eventual encerramento do caso.
Quais são os próximos passos da ação no TSE?
O processo seguirá os procedimentos previstos na legislação eleitoral. Caso a investigação avance, poderão ser reunidas novas provas e realizadas diligências para esclarecer os fatos apresentados pelo partido.
A eventual cassação da chapa e a declaração de inelegibilidade dependem de julgamento do mérito e de decisão da Justiça Eleitoral.
Até que haja uma decisão definitiva, as acusações apresentadas pelo Novo permanecem sob análise do TSE.
A ação coloca em discussão os limites da atuação do governo durante o período eleitoral e a possibilidade de utilização de medidas administrativas em benefício de candidaturas.
O caso deverá continuar em tramitação após a apresentação das defesas de Lula e Alckmin.
Jornalista e redatora, com experiência em produção de conteúdo, cobertura esportiva e comunicação institucional. Atua na apuração e redação de conteúdos jornalísticos, com destaque para a cobertura do futebol e política...
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