Mensagem nao comprovada
(Imagem: Divulgação)
Publicações que circulam nas redes sociais afirmam que traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) teriam proibido professores de abordar questões relacionadas a gênero em escolas de comunidades do Rio de Janeiro. No entanto, não há provas que confirmem a existência dessas ordens ou a autoria das mensagens atribuídas aos integrantes das facções criminosas.
Os conteúdos foram compartilhados por meio de imagens com supostos comunicados e declarações atribuídas a criminosos conhecidos como Doca da Penha e “mano Peixe”. As mensagens mencionam ameaças contra profissionais da educação e responsáveis por unidades escolares que tratassem do tema.
A checagem publicada pelo Boatos.org aponta que as postagens não apresentam comunicados originais, gravações verificáveis, registros de escolas ou manifestações de autoridades que confirmem a suposta determinação.
Mensagens atribuem proibição a traficantes do CV e TCP
As publicações virais apresentam trechos que supostamente reproduziriam ordens de integrantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro. Uma delas menciona o TCP e atribui a determinação a uma pessoa identificada como “mano Peixe”. Outra cita o CV e associa as declarações ao traficante conhecido como Doca da Penha.
Entretanto, os conteúdos não esclarecem se seriam ordens distintas ou uma determinação conjunta das duas facções. Também não informam quais escolas teriam recebido as supostas orientações, quando elas teriam sido emitidas ou quem teria transmitido as mensagens aos profissionais da educação.
De acordo com a checagem, não foram encontradas fontes verificáveis que confirmem a autoria das declarações ou a existência de uma proibição imposta pelos grupos criminosos.
O que se sabe sobre o termo “ideologia de gênero” nas escolas?
Outro ponto abordado na verificação é o uso da expressão “ideologia de gênero”. O termo não corresponde ao nome de uma disciplina escolar formal ou de um componente curricular específico.
A expressão é utilizada principalmente em debates políticos e religiosos sobre gênero, sexualidade e educação. No ambiente escolar, temas como igualdade, respeito às diferenças, combate à discriminação e prevenção da violência podem fazer parte de atividades pedagógicas, sem que isso represente a existência de uma matéria chamada “ideologia de gênero”.
A checagem também menciona pesquisas acadêmicas que analisam a origem e a utilização política do termo no debate público brasileiro.
Boatos semelhantes já circularam nas redes sociais
A utilização de nomes de facções criminosas para dar credibilidade a mensagens falsas não é um fenômeno isolado. Segundo o Boatos.org, outras publicações já atribuíram ao Comando Vermelho supostas ordens de ataques a subestações de energia, incêndios de ônibus e ações contra o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro.
Em alguns desses conteúdos, o nome de Doca também foi utilizado para atribuir autoria a ameaças que não foram confirmadas.
A repetição desse tipo de mensagem reforça a importância de verificar a origem dos comunicados antes de compartilhá-los, especialmente quando envolvem ameaças, segurança pública e instituições de ensino.
Checagem: não há comprovação da suposta proibição
Até o momento da verificação apresentada pelo Boatos.org, não havia provas de que traficantes do Comando Vermelho ou do Terceiro Comando Puro tenham proibido professores de abordar questões relacionadas a gênero nas escolas de comunidades do Rio de Janeiro.
As mensagens não apresentam documentos, áudios ou outras evidências que confirmem a autoria das declarações atribuídas aos criminosos. Portanto, a suposta determinação não pode ser tratada como um fato comprovado.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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