Pai com o Filho na Bicicleta
(Imagem: Divulgação)
O pai condenado pela morte do filho Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos, recebeu uma pena de 83 anos e quatro meses de prisão. Tiago Ricardo Felber foi condenado na noite de quarta-feira (4), após cerca de 13 horas de julgamento pelo Tribunal do Júri de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. A sentença determina o cumprimento inicial da pena em regime fechado e também estabelece indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da criança.
O crime aconteceu em março de 2025, quando o menino foi arremessado vivo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel, na Fronteira Oeste do estado. A queda, de aproximadamente 15 metros, provocou traumatismo cranioencefálico, conforme o laudo pericial. A criança não resistiu aos ferimentos.
O caso teve grande repercussão nacional e voltou ao centro do debate sobre a violência praticada contra filhos como forma de atingir mães ou responsáveis. A morte de Théo também impulsionou discussões que contribuíram para a criação da chamada Lei do Vicaricídio.
Júri condena pai por homicídio qualificado e ameaça
O julgamento começou por volta das 10h de quarta-feira (4), no Foro de São Gabriel, e terminou aproximadamente às 23h. Durante a sessão, oito pessoas foram ouvidas.
O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade de Tiago Ricardo Felber por homicídio quadruplamente qualificado, considerando quatro circunstâncias: motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima, dissimulação e o fato de o crime ter sido cometido contra uma criança menor de 14 anos.
O réu também foi condenado por homicídio tentado e ameaça contra a ex-esposa, Abigail Ferreira. A pena total estabelecida foi de 83 anos e quatro meses de prisão.
Além da condenação criminal, a sentença determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares de Théo.
Mãe relatou histórico de conflitos durante o relacionamento
A mãe da criança, Abigail Ferreira, foi a primeira a prestar depoimento durante o julgamento. Ela contou que manteve um relacionamento de aproximadamente dez anos com Felber e relatou episódios de agressões verbais, ofensas e xingamentos durante a convivência. Segundo seu depoimento, não houve agressões físicas contra ela.
Abigail afirmou ainda que o pai era a pessoa em quem Théo mais confiava. De acordo com o relato apresentado ao júri, Felber não aceitava o fim do relacionamento.
Como aconteceu a morte de Théo em São Gabriel?
Segundo a denúncia do Ministério Público, Théo morava com a mãe e passava alguns dias sob os cuidados do pai. A investigação apontou que o menino teria sido agredido em 24 de março de 2025. No dia seguinte, foi levado até a ponte sobre o Rio Vacacaí e lançado de uma altura aproximada de 15 metros.
O exame pericial apontou traumatismo cranioencefálico como causa da morte, em decorrência da queda.
Após o crime, Felber enviou uma mensagem de áudio a familiares, na qual confessou ter jogado a criança da ponte. O conteúdo foi encaminhado a uma prima da mãe do menino.
Caso Théo impulsionou debate sobre o vicaricídio
A morte de Théo ganhou repercussão para além do Rio Grande do Sul e passou a ser citada nos debates sobre o chamado vicaricídio, expressão utilizada para descrever a violência contra filhos ou pessoas próximas com a intenção de atingir emocionalmente outra pessoa, geralmente a mãe.
O caso reforçou a discussão sobre mecanismos de prevenção e proteção de mulheres e crianças em situações de violência familiar. A chamada Lei do Vicaricídio surgiu nesse contexto de mobilização e debate público.
A condenação de Tiago Ricardo Felber encerra a etapa do julgamento pelo Tribunal do Júri, mas o cumprimento da pena e eventuais recursos seguem sujeitos aos procedimentos previstos na Justiça.
Jornalista formado pela UNIFG. Experiência de 4 anos em redação política. Atuou como redator em duas eleições. Criou e apresentou o programa “Fala Político”, onde entrevistou diversos políticos da Região Metropolitana do...
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