Batismo
(Imagem: Divulgação)
A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, transformou a rotina da população ucraniana e provocou perdas humanas, destruição e deslocamentos. Em meio a esse cenário, lideranças religiosas relatam um crescimento na procura pela fé cristã e na participação de pessoas em igrejas evangélicas.
De acordo com o pastor Igor Bandura, vice-presidente da União Batista Ucraniana, mais de 13 mil pessoas foram batizadas no país desde o início do conflito. No mesmo período, 106 novas igrejas foram estabelecidas, números que, segundo ele, representam um avanço significativo em comparação com os anos anteriores à guerra.
“Cento e seis novas igrejas foram estabelecidas nos últimos quatro anos. Mais de 13 mil pessoas foram batizadas – significativamente mais do que antes da guerra”, afirmou Bandura.
O pastor representa uma organização que reúne mais de 2 mil congregações na Ucrânia. Segundo ele, o crescimento não está restrito às comunidades batistas e também é percebido em outras denominações evangélicas.
A expansão ocorre em um período marcado por dificuldades para a população. Com a continuidade dos ataques, a insegurança e as consequências sociais do conflito, igrejas têm se tornado espaços procurados por pessoas em busca de acolhimento, apoio espiritual e esperança.
Militares também procuram apoio religioso
A procura pela fé cristã também tem sido registrada entre soldados que atuam nas linhas de frente. Relatos de pastores e capelães evangélicos apontam que militares têm solicitado exemplares da Bíblia, materiais religiosos e orientações para a prática da oração.
Bandura citou o trabalho de um pastor que atua em tempo integral como capelão junto às tropas. Em apenas um mês, esse religioso distribuiu mais de 300 exemplares do Novo Testamento, 27 Bíblias em áudio e mais de 670 livros de oração, atendendo a pedidos dos próprios soldados.
Para o vice-presidente da União Batista Ucraniana, os números demonstram o interesse de militares que encontram na religião uma forma de enfrentar as dificuldades provocadas pela guerra.
O pastor informou ainda que aproximadamente 2 mil capelães ligados a igrejas protestantes foram enviados às linhas de frente. Desse total, cerca de 100 capelães evangélicos trabalham em tempo integral no atendimento aos combatentes.
“Nas linhas de frente, há pessoas dizendo: ‘Deus nos encontrou’. Elas pedem literatura evangélica e querem aprender a orar”, relatou.
Guerra provoca reflexões sobre a fé
Na avaliação de Bandura, a experiência do conflito tem levado parte da população a repensar questões relacionadas à espiritualidade. Pessoas que antes não demonstravam interesse pela religião passaram a procurar igrejas e a buscar respostas sobre a existência de Deus.
O cenário também evidencia o papel desempenhado por comunidades religiosas durante períodos de crise. Além das atividades de evangelização, organizações cristãs têm oferecido apoio espiritual e assistência a pessoas afetadas pela guerra.
A atuação de igrejas batistas ucranianas também é acompanhada por organizações internacionais. A Aliança Batista Mundial, por exemplo, informa que a rede batista no país reúne mais de 2 mil igrejas e participa de iniciativas de assistência a pessoas atingidas pelo conflito.
Embora os números apresentados por Bandura estejam relacionados ao trabalho das comunidades evangélicas, eles mostram como a procura por apoio religioso ganhou espaço na sociedade ucraniana desde o início da invasão russa em larga escala.
Com a guerra ainda em andamento, pastores e capelães continuam atuando junto à população e aos militares. Para essas lideranças, a fé tem representado uma fonte de acolhimento e esperança em meio às incertezas enfrentadas pelo país.
Jornalista e redatora, com experiência em produção de conteúdo, cobertura esportiva e comunicação institucional. Atua na apuração e redação de conteúdos jornalísticos, com destaque para a cobertura do futebol e política...
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