0:00 Ouça a Rádio
Qua, 15 de Julho
Agrishow

Agrishow vira palco de disputa presidencial: nomes da direita medem forças enquanto o governo tenta acalmar o campo

A Agrishow em Ribeirão Preto tornou-se o epicentro da corrida presidencial antecipada, unindo a força do agro a uma estratégia política de direita e bilhões em crédito.

27 abr 2026 - 08h44 Joice Gomes
Agrishow vira palco de disputa presidencial: nomes da direita medem forças enquanto o governo tenta acalmar o campo Movimentação política intensa marca a abertura da Agrishow em Ribeirão Preto com foco em 2026. (Imagem: gerado por IA)

O agronegócio brasileiro, motor da economia, volta a ser o epicentro de uma disputa política que já mira as eleições presidenciais. A partir desta segunda-feira (27), a Agrishow, em Ribeirão Preto, deixa de ser apenas uma vitrine tecnológica para se tornar o palco principal de uma articulação estratégica da direita brasileira.

Desta vez, a movimentação foi calculada nos mínimos detalhes. Diferente do caos de edições passadas, os principais nomes da oposição, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, escalonaram suas visitas para garantir que cada um tenha seu próprio momento de brilho diante do setor mais produtivo do país.

Essa divisão de dias evita que os holofotes se dispersem, permitindo que cada potencial candidato a 2026 consolide sua imagem de aliado preferencial do campo. Mas o impacto vai além da simples fotografia política; trata-se de uma demonstração de força em um território onde o atual governo federal ainda busca encontrar terreno firme.

A estratégia por trás dos holofotes divididos

O cronograma começa com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A dupla simboliza a continuidade do legado bolsonarista e a força da gestão paulista. Tarcísio, em especial, deve aproveitar o evento para anunciar novos pacotes de apoio estadual, reforçando seu perfil executor.

Na sequência, a feira recebe Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Essa "fila de presidenciáveis" mostra que o setor não é apenas uma base de apoio, mas o fiel da balança para qualquer pretensão nacional futura. Na prática, isso muda mais do que parece: a direita está profissionalizando sua presença no agro para evitar ruídos internos.

A cartada de R$ 10 bilhões para acalmar o setor

Enquanto a direita desfila influência, o governo federal tenta reduzir a temperatura das críticas. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi novamente escalado pelo presidente Lula para liderar a ofensiva diplomática e financeira. O objetivo é claro: substituir o descontentamento por investimento real.

O ponto central dessa estratégia é a liberação de R$ 10 bilhões via Finep para financiamento de máquinas e implementos. Com juros prometidos na casa de um dígito, o governo tenta atacar a principal dor dos produtores: o custo do crédito em um cenário de taxas Selic elevadas e incertezas fiscais.

A ausência de Lula na feira, no entanto, continua sendo um ponto de atenção. Ao delegar a tarefa a Alckmin e ao novo ministro da Agricultura, André de Paula, o governo mantém uma distância segura, mas arriscada, em um ambiente que ainda guarda memórias fortes das recepções calorosas dadas a Jair Bolsonaro em anos anteriores.

O que está em jogo para o futuro do agro

A Agrishow deste ano não é apenas sobre tratores autônomos ou biotecnologia. Ela é um termômetro político refinado. O sucesso das linhas de crédito anunciadas por Alckmin dirá se o governo consegue reconquistar o pragmatismo do setor, ou se o agro permanecerá consolidado como a fortaleza da oposição.

O que veremos nos próximos dias em Ribeirão Preto é o desenho de 2026 sendo traçado no chão de terra da feira. Entre promessas de crédito e afagos políticos, o setor produtivo observa quem, de fato, oferece as melhores condições para o crescimento a longo prazo, em um cenário onde a economia e a política caminham de mãos dadas.

A Agrishow termina, mas a disputa iniciada em seus corredores está longe do fim. A maneira como esses R$ 10 bilhões chegarão à ponta e como a direita manterá sua união após os holofotes se apagarem definirá os próximos capítulos da política nacional.

Mais notícias
OAB pede que Alexandre de Moraes garanta contato de Flávio com Jair Bolsonaro como advogado
Polêmico OAB pede que Alexandre de Moraes garanta contato de Flávio com Jair Bolsonaro como advogado
Eleições 2026: saiba quais são as datas e regras para registrar candidaturas
Estratégico Eleições 2026: saiba quais são as datas e regras para registrar candidaturas
Senado pauta PEC dos agentes de saúde e acende alerta de R$ 30 bilhões nas contas públicas
PEC dos agentes de saúde Senado pauta PEC dos agentes de saúde e acende alerta de R$ 30 bilhões nas contas públicas
Entenda os argumentos de Alexandre de Moraes ao proibir visitas de Flávio a Jair Bolsonaro
STF Entenda os argumentos de Alexandre de Moraes ao proibir visitas de Flávio a Jair Bolsonaro
Oposição reage e classifica como autoritária suspensão de visitas a Bolsonaro
Polêmico Oposição reage e classifica como autoritária suspensão de visitas a Bolsonaro
Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Direitos Lula entra na campanha pelo fim da escala 6x1 e cobra votação da PEC no Senado
Congresso entra na última semana antes do recesso sem votar PEC 6x1 e PL da Misoginia
Votação Congresso entra na última semana antes do recesso sem votar PEC 6x1 e PL da Misoginia
Alexandre de Moraes suspende visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias
Polêmico Alexandre de Moraes suspende visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias
Flávio Dino dá prazo de 10 dias para que Hugo Motta envie documentos sobre emendas sob suspeita
Polêmico Flávio Dino dá prazo de 10 dias para que Hugo Motta envie documentos sobre emendas sob suspeita
STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suposto controle ilegal de emendas
Justiça STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suposto controle ilegal de emendas
Mais Lidas
Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Convocação Fora da Copa e preterido na Europa, João Gomes desabafa: "Deus tem o melhor"
Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Empregos Dataprev abre concurso público com salários de até R$ 10,6 mil e inscrições na FGV
Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
Loterias Mega Sena acumula e próximo concurso pode pagar prêmio de R$ 25 milhões
PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato
Emendas PF aponta que Valdemar Costa Neto atuava como "líder" na Câmara sem ter mandato