Operação da DRCI no Rio de Janeiro mira esquema de estelionato digital que utilizava máquinas de cartão físicas.
(Imagem: gerado por IA)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta segunda-feira, uma operação para desmantelar uma quadrilha especializada em transformar o atendimento ao cliente em uma armadilha financeira. Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) cumprem mandados de busca e apreensão no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Até o momento, duas pessoas foram detidas em um esquema que revela uma evolução perigosa nas táticas de estelionato digital. Em vez de dependerem apenas de links maliciosos, os criminosos montaram uma infraestrutura física robusta para processar o dinheiro roubado, conferindo uma aparência de legitimidade que enganava até os usuários mais atentos.
As investigações, iniciadas em 2025, mostram que o grupo operava simulando canais oficiais de suporte de grandes plataformas de pagamentos. Ao entrar em contato por redes sociais ou aplicativos de mensagens, a vítima acreditava estar resolvendo um problema técnico, quando, na verdade, era induzida a autorizar transações que esvaziavam suas contas bancárias.
O que muda na prática com o uso de máquinas físicas
O grande diferencial deste esquema, e o que mais chamou a atenção dos investigadores, foi a utilização estratégica de terminais físicos de cartão de crédito. Ao contrário de golpes comuns que dependem exclusivamente de contas laranjas digitais, essa quadrilha utilizava máquinas registradas em nomes de terceiros para processar os valores como se fossem vendas legítimas de produtos ou serviços.
Na prática, isso criava uma camada extra de proteção para os criminosos e dificultava o rastreio imediato pelos sistemas antifraude dos bancos. Um dos presos confessou que cedeu oito máquinas de cartão que seriam originalmente destinadas a eventos em uma casa de shows no Recreio. No entanto, os dispositivos serviam como duto para a lavagem rápida do dinheiro obtido nos golpes de engenharia social.
Mas o impacto vai além do processamento inicial. Após o crédito nas máquinas, o montante era pulverizado via Pix para uma rede de contas secundárias quase instantaneamente. Essa agilidade na dispersão impedia o bloqueio judicial dos valores e permitia que os operadores das máquinas recebessem comissões em dinheiro vivo, dificultando a reconstrução do caminho percorrido pelo dinheiro.
O que está por trás da estratégia da quadrilha
E é aqui que está o ponto central: a quadrilha não agia de forma isolada, mas como uma engrenagem coordenada entre quem aplicava o golpe digital e quem fornecia a estrutura física. O uso de terminais de diferentes operadoras sugere uma tentativa de não levantar suspeitas por volume excessivo em uma única plataforma, diversificando os riscos do negócio ilícito.
A polícia agora busca identificar o alcance total dessa rede e quem são os outros colaboradores que cederam seus dados ou equipamentos. A suspeita é de que o esquema tenha feito vítimas em larga escala, aproveitando-se da confiança que o público deposita em marcas consolidadas de tecnologia financeira.
Para o consumidor, o desfecho desta operação serve como um lembrete crucial: a segurança digital hoje exige desconfiança preventiva. Instituições financeiras raramente solicitam procedimentos de transferência durante atendimentos de suporte. O monitoramento contínuo dessas novas modalidades de crime é o que permitirá às autoridades antecipar os próximos passos de grupos que, cada vez mais, misturam o mundo virtual e o físico para cometer delitos.