0:00 Ouça a Rádio
Qui, 03 de Setembro
Econômico

Dario Durigan alerta sobre pautas-bomba e defende equilíbrio do orçamento

12 jun 2026 - 20h14 Alexsander Arcelino
O ministro Dario Durigan falando de forma compenetrada durante uma transmissão de rádio em um estúdio jornalístico Ministro da Fazenda defende responsabilidade orçamentária diante de pressões por gastos no Congresso (Imagem: Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

O Ministério da Fazenda subiu o tom contra a agenda de despesas e renúncias que ganha força nos bastidores do Poder Legislativo. Em entrevista concedida ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou de forma categórica que o compromisso central do governo federal é blindar a economia nacional. O chefe da pasta econômica alertou que o clima de articulação político-eleitoral e as pressões corporativas setoriais não podem sequestrar o orçamento e desestabilizar as contas do país.

O posicionamento do ministro está diretamente associado ao avanço das chamadas "pautas-bomba" na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Esse termo técnico define matérias legislativas que, se aprovadas, geram novas despesas bilionárias obrigatórias para os cofres públicos ou reduzem drasticamente a arrecadação de tributos. Na visão da equipe econômica, a proliferação desses projetos coloca em risco o cumprimento das regras fiscais e a estabilidade das contas públicas.

Raio-X do rombo: os nove projetos na mira da Fazenda

Para dar transparência ao debate, o Poder Executivo divulgou um relatório técnico detalhado mapeando o impacto fiscal de nove propostas que tramitam simultaneamente no Congresso Nacional. Juntas, as medidas representam um custo anual estimado em expressivos R$ 111 bilhões. Durigan contextualizou os números apontando que o montante pretendido pelos parlamentares equivale a mais de dois anos do teto total de investimentos públicos da União.

Os cálculos elaborados pelas equipes técnicas da Fazenda e do Planejamento revelam uma série de potenciais pressões sobre o caixa federal:

  • Renegociação de dívidas com juros subsidiados pela União: Custo de até R$ 140 bilhões distribuídos em 13 anos;

  • Elevação do teto de faturamento do Simples Nacional: Renúncia de receita calculada em R$ 50 bilhões por ano;

  • PEC de ampliação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM): Contração de R$ 10 bilhões anuais nas receitas líquidas da União;

  • Ampliação da imunidade tributária para templos religiosos: Desfalque mínimo de R$ 10 bilhões anuais na arrecadação;

  • Vinculação de receitas ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS): Despesa adicional média de R$ 9 bilhões por ano até 2030;

  • Criação de um novo programa de Regularização Tributária (Pert): Perda média de R$ 8,8 bilhões anuais para o Fisco;

  • Piso salarial e reajustes para médicos e cirurgiões-dentistas: Incremento de R$ 8,4 bilhões por ano nas despesas da União;

  • Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde: Ampliação do déficit previdenciário em R$ 3 bilhões anuais;

  • Subsídios e benefícios para entidades sem fins lucrativos: Renúncia fiscal de R$ 1 bilhão por ano.

Diálogo político e cenário de incerteza internacional

Apesar do tom de alerta, o ministro fez questão de registrar que mantém um canal de interlocução aberto e colaborativo com as lideranças do parlamento. Durigan elogiou publicamente a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a quem classificou como um aliado na condução responsável dos temas econômicos no plenário. O secretário argumentou que o Planalto não busca criar atritos desnecessários, mas sim apresentar dados reais e projeções de mercado para demover os parlamentares de medidas fiscais prejudiciais.

O cenário macroeconômico global também foi utilizado como justificativa para manter a austeridade doméstica. O chefe da Fazenda demonstrou preocupação com fatores externos voláteis, como a oscilação nos preços internacionais do petróleo, o fechamento negativo das bolsas de valores e as incertezas dos bancos centrais estrangeiros no controle da inflação. Diante disso, Durigan defendeu que o Brasil foque suas energias em uma agenda de crescimento unificada, sob o risco de enfraquecer o poder de compra da população e afugentar capitais.

Recurso ao STF como última barreira de defesa

Caso as negociações políticas nas duas Casas do Congresso falhem e os projetos de alto impacto fiscal sejam aprovados de forma soberana, o Ministério da Fazenda já traçou uma estratégia de contenção jurídica. O governo federal não descarta a possibilidade de ingressar com ações diretas de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

A estratégia jurídica seguirá a jurisprudência já adotada em litígios anteriores, exigindo que o Poder Legislativo cumpra rigorosamente os requisitos mínimos de responsabilidade fiscal e a indicação explícita das fontes de custeio antes de promulgar leis que gerem novas despesas para o Estado.

Mais notícias
Senado aprova indicação de Rodrigo Pacheco para vaga de ministro no TCU
Brasília Senado aprova indicação de Rodrigo Pacheco para vaga de ministro no TCU
Dias Toffoli autoriza retorno de propaganda digital de Renan Santos
Eleitoral Dias Toffoli autoriza retorno de propaganda digital de Renan Santos
Dias Toffoli dá 24 horas para Renan Santos justificar perfis em redes sociais e suspende atos de campanha
Eleições Dias Toffoli dá 24 horas para Renan Santos justificar perfis em redes sociais e suspende atos de campanha
Fim da escala 6x1 e isenção de importados entram em votação decisiva no Congresso
Política Fim da escala 6x1 e isenção de importados entram em votação decisiva no Congresso
Eleições 2026: saiba o que é permitido e proibido no dia da votação para evitar multas e problemas
Política Eleições 2026: saiba o que é permitido e proibido no dia da votação para evitar multas e problemas
Sabatinas e corpo a corpo: Como o fim de semana dos presidenciáveis desenha a reta final da disputa
Política Sabatinas e corpo a corpo: Como o fim de semana dos presidenciáveis desenha a reta final da disputa
Flávio Bolsonaro promete manter ganho real do salário mínimo e nega cortes em aposentadorias
Eleições Flávio Bolsonaro promete manter ganho real do salário mínimo e nega cortes em aposentadorias
No Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro nega ilegalidades em repasses para filme sobre o pai
Eleições No Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro nega ilegalidades em repasses para filme sobre o pai
TSE pauta julgamento sobre uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral
Eleitoral TSE pauta julgamento sobre uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral
TSE e Google lançam barreira tecnológica contra deepfakes nas eleições de 2026
Política TSE e Google lançam barreira tecnológica contra deepfakes nas eleições de 2026
Mais Lidas
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Saúde OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek
Série Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek