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Maioridade

Maioridade penal aos 16 anos: Câmara decide hoje futuro de proposta histórica

A CCJ da Câmara decide nesta terça a admissibilidade da PEC que reduz a maioridade penal para 16 anos. Entenda o que muda no sistema de justiça e o clima político.

09 jun 2026 - 08h59 Joice Gomes   atualizado às 09h02
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Maioridade penal aos 16 anos: Câmara decide hoje futuro de proposta histórica A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara analisa a constitucionalidade da redução da idade penal nesta terça-feira. (Imagem: gerado por IA)

A Câmara dos Deputados vive uma terça-feira decisiva que pode alterar profundamente os pilares do sistema de justiça criminal brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve colocar em votação a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

O parecer favorável do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), dá o sinal verde para que a matéria avance, sob o argumento de que a mudança não fere os princípios fundamentais da Constituição. Na prática, este é o primeiro e essencial filtro para que o texto ganhe corpo e siga sua tramitação nos corredores de Brasília.

Se aprovada pelo colegiado, a proposta não segue imediatamente para o plenário. Ela deverá ser submetida a uma comissão especial, onde o mérito da questão, ou seja, se a medida é realmente eficaz ou necessária, será debatido à exaustão antes de enfrentar o crivo de todos os deputados federais.

O que muda na prática com a nova idade penal

A essência da proposta, que tramita na Casa desde 2015, é transformar jovens de 16 e 17 anos em indivíduos penalmente imputáveis. Isso significa que, em vez de serem regidos exclusivamente pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e cumprirem medidas socioeducativas, eles passariam a responder criminalmente como adultos.

Para os defensores da medida, a legislação atual é insuficiente para lidar com a gravidade de certos delitos cometidos por jovens. O relator sustenta que a definição da idade penal é uma escolha política que cabe ao Congresso Nacional, e que o Brasil não estaria violando tratados internacionais ao realizar essa adequação.

No entanto, a mudança vai muito além de uma simples alteração de data no calendário. Ela exige uma reestruturação do sistema prisional e levanta dúvidas sobre a capacidade de ressocialização de jovens em um ambiente desenhado para adultos criminosos.

O que está por trás do embate político

O tema não ressurge agora por acaso. A redução da maioridade penal tornou-se uma das principais bandeiras da direita e ganhou novo fôlego com a proximidade do cenário eleitoral nacional. O senador Flávio Bolsonaro, figura central na oposição, tem usado suas redes para pressionar pelo fim da tolerância com crimes bárbaros cometidos por menores.

Por outro lado, o governo federal e partidos de esquerda, como o PT e o PSOL, tentam frear o avanço do texto. O argumento central da oposição é que a redução pode ser um tiro no pé: em vez de diminuir a violência, a medida poderia facilitar o recrutamento de adolescentes ainda mais jovens pelo crime organizado, que passaria a focar em crianças de 12 ou 14 anos.

Recentemente, o tema já havia causado faíscas durante a elaboração da PEC da Segurança Pública. Na ocasião, o dispositivo foi retirado do texto principal para evitar que a polarização inviabilizasse toda a reforma, mas o retorno do debate à CCJ mostra que o consenso ainda é um horizonte distante.

O que pode acontecer a partir desta decisão

O resultado da votação nesta terça-feira será um termômetro fiel da correlação de forças na Câmara. Uma aprovação rápida daria combustível para que as pautas de segurança pública dominem a agenda legislativa do segundo semestre, pressionando o governo a se posicionar sobre um tema que historicamente enfrenta resistência na base aliada.

Mas o caminho ainda é longo e repleto de barreiras regimentais. A discussão toca em fibras sensíveis da sociedade brasileira: a busca por justiça imediata versus a crença na educação e proteção integral da juventude. Independentemente do placar na CCJ, o Brasil caminha para um debate que definirá como o Estado enxerga o limite entre a adolescência e a responsabilidade penal plena.

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