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Ética no STF

Anteprojeto de Código de Ética do STF avança em elaboração sob relatoria de Cármen Lúcia

01 abr 2026 - 08h58 Joice Gomes
Anteprojeto de Código de Ética do STF avança em elaboração sob relatoria de Cármen Lúcia Anteprojeto do Código de Ética do STF, liderado por Cármen Lúcia, trata de limites para eventos pagos e atuação familiar, com votação prevista para este ano. (Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo)

O Supremo Tribunal Federal dá passos concretos para criar seu primeiro Código de Ética específico para ministros. O presidente da Corte, Edson Fachin, confirmou que a relatora da proposta, ministra Cármen Lúcia, já trabalha no anteprojeto, com previsão de análise em sessão administrativa ainda neste ano de 2026.

A iniciativa responde a demandas crescentes por maior transparência na conduta dos magistrados da mais alta instância do país. O texto deve abordar situações que geram questionamentos públicos, como a participação em palestras remuneradas e a atuação profissional de familiares em causas julgadas pelo tribunal.

Principais temas em debate

Entre os pontos centrais do futuro código estão regras claras sobre eventos e palestras oferecidos por empresas com processos em andamento no STF. Fachin destacou que já sugeriu à relatora inspirações de tribunais constitucionais da Alemanha e dos Estados Unidos, adaptadas à realidade brasileira.

O anteprojeto também deve tratar da comunicação prévia obrigatória para essas atividades externas. A medida visa equilibrar a liberdade de expressão dos ministros com a necessidade de prevenir qualquer percepção de conflito de interesses, sem comprometer a segurança pessoal dos magistrados.

Outro foco importante envolve a atuação de parentes dos ministros em escritórios de advocacia que litigam perante a Corte. A proposta busca estabelecer parâmetros objetivos para evitar situações que possam comprometer a imparcialidade nas decisões judiciais.

Negociações para superar resistências

Fachin tem percorrido os corredores do STF em conversas individuais com os colegas para construir consenso em torno da proposta. Alguns ministros veem o código como medida necessária e urgente, enquanto outros preferem cautela no timing da implementação.

O presidente da Corte reconhece essas divergências, mas insiste na importância de regras claras e objetivas. "É preciso disciplinar com precisão os temas que envolvem a conduta dos ministros", afirmou, sinalizando que a versão final deve resultar de amplo diálogo interno.

Como o texto implicará alterações no Regimento Interno do STF, sua aprovação exigirá quórum qualificado em sessão administrativa. Esse trâmite reforça a necessidade de apoio majoritário para que o código saia do papel.

Motivação no contexto atual

A elaboração do código ganha contornos ainda mais relevantes diante de episódios recentes envolvendo ministros da Corte. Em fevereiro deste ano, Fachin já havia colocado a criação das normas éticas como prioridade de sua gestão, nomeando Cármen Lúcia para liderar o trabalho.

Investigações como a Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master, reacenderam debates sobre integridade no Judiciário. Casos específicos mencionando ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli intensificaram a pressão por mecanismos de autorregulação mais robustos.

Moraes negou qualquer contato com o banqueiro Daniel Vorcaro na data de sua prisão inicial. Já Toffoli se desvinculou da relatoria do inquérito após revelações sobre investimentos ligados ao resort de sua propriedade, conectados ao mesmo banco investigado.

Impactos esperados da nova norma

Se aprovado, o Código de Ética do STF representará marco histórico na autorregulação da Corte. Pela primeira vez, os ministros terão normas internas específicas sobre suas atividades externas e relações profissionais familiares.

Na prática, isso pode alterar significativamente a dinâmica de eventos pagos, convites corporativos e contratações de escritórios de advocacia. Empresas com litígios no Supremo precisarão observar prazos de comunicação e possíveis restrições aos palestrantes.

  • Relatoria: Ministra Cármen Lúcia coordena elaboração do texto.
  • Prazo: Votação prevista para sessão administrativa em 2026.
  • Temas principais: Palestras remuneradas, parentes advogados e comunicação prévia.
  • Inspirações: Modelos de tribunais da Alemanha e Estados Unidos.
  • Status: Anteprojeto em fase inicial, com negociações em andamento.

O avanço da proposta demonstra sensibilidade do STF às críticas recorrentes sobre transparência. Mais do que responder a casos específicos, o código pretende estabelecer cultura permanente de prevenção a conflitos, reforçando a credibilidade da instituição perante a sociedade.

Para além das regras técnicas, a iniciativa sinaliza compromisso com a evolução das práticas judiciais. Em um país onde o Judiciário enfrenta constante escrutínio público, normas claras de conduta podem fortalecer a confiança na imparcialidade das decisões soberanas.

Os próximos meses serão decisivos para definir se o Supremo conseguirá aprovar – e cumprir – seu próprio código ético. O resultado dessa tramitação interna reverberará não apenas na Corte, mas em todo o sistema de justiça brasileiro.

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