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Qua, 15 de Julho
Comércio

Em meio a avanço com EUA sobre segurança, Brasil barra debate sobre etanol

07 jul 2026 - 20h10 Alexsander Arcelino   atualizado às 20h13
Pátio logístico portuário com centenas de contêineres coloridos empilhados de forma organizada sob a luz do dia, com guindastes ao fundo Movimentação de cargas internacionais nos portos brasileiros registra alta em junho puxada por preços de commodities (Imagem: Canva)

As tratativas bilaterais para frear a aplicação de uma sobretaxa às exportações brasileiras registraram os primeiros acenos positivos em Washington. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou nesta terça-feira (7) que o governo norte-americano demonstrou abertura para ampliar a cooperação mútua na repressão ao crime organizado transnacional. A sinalização ocorreu após rodadas de debates técnicos com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

"Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto", declarou o ministro.

A agenda prevê novas reuniões técnicas e um encontro político estratégico ainda nesta semana com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, antes do encerramento oficial da fase de consulta pública. Contudo, Elias Rosa foi enfático ao pontuar que o Palácio do Planalto não aceitará a ampliação do escopo de debates para barganhar a manutenção das alíquotas comerciais. "A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos", sublinhou.

Proteção ao etanol e assimetria no açúcar

O posicionamento brasileiro mantém o etanol terminantemente fora da mesa de negociações. O ministro pontuou que tratar o biocombustível de forma isolada desconsidera a interdependência da cadeia sucroenergética nacional. Segundo ele, flexibilizar regras para favorecer o produto estadunidense fragilizaria a indústria local, com destaque para as usinas do Nordeste.

A recusa brasileira baseia-se em uma disparidade histórica no acesso ao mercado norte-americano:

  • Barreira ao açúcar: O açúcar produzido no Brasil enfrenta tarifas alfandegárias proibitivas que alcançam quase 100% para ingressar nos EUA.

  • Indissociabilidade: Para o Ministério do Desenvolvimento, é inviável dar livre trânsito ao etanol americano enquanto o açúcar brasileiro sofre restrições severas.

  • Foco no curto prazo: Com o cronograma estreito imposto pela Seção 301, o foco da delegação brasileira se concentrará nos pontos que oferecem ganho imediato mútuo.

Alinhamento do setor produtivo e expansão global

A firmeza institucional do governo recebeu respaldo unânime da iniciativa privada. Durante as audiências em Washington, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ratificaram os argumentos do Executivo.

As entidades comprovaram que a retração na compra do etanol dos EUA não se deve unicamente a barreiras tarifárias brasileiras, mas sim à autossuficiência gerada pelo forte crescimento da produção doméstica de etanol de milho. O setor defendeu que, na condição de maiores players globais, as duas nações deveriam focar esforços em consolidar o mercado internacional de biocombustíveis e abrir novas fronteiras de consumo sustentável, em vez de deflagrar disputas fiscais protecionistas.

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