Transnordestina aguarda aval do TCU para retomada das obras de infraestrutura.
(Imagem: Elvis Aleluia/Sudene)
O futuro do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina entra em uma fase decisiva nesta quarta-feira. O Tribunal de Contas da União (TCU) analisa o novo estudo técnico que tenta reverter a paralisação das obras entre Salgueiro e o Porto de Suape, um empreendimento vital para destravar o escoamento de produção e reduzir drasticamente os custos logísticos no Nordeste.
Desenvolvido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o documento responde diretamente às exigências da Corte de Contas, que suspendeu o chamado Eixo Sul sob alegações de falta de viabilidade socioeconômica e fragilidades na governança. Agora, os novos indicadores buscam provar que manter o projeto parado custa muito mais caro para o país do que concluí-lo.
Na prática, os números apresentados vão muito além de meras projeções de engenharia. Eles desenham um cenário de transformação logística que pode integrar de forma definitiva mais de 400 municípios nordestinos a mercados globais.
O que muda na prática com a ferrovia
O estudo da Sudene traz à mesa um Valor Social Presente Líquido (VSPL) estimado em expressivos R$ 4,76 bilhões, além de uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. Esses números não são abstratos: eles representam uma economia real em despesas públicas com a manutenção de rodovias, uma redução significativa no número de acidentes e uma queda drástica na emissão de gases poluentes na atmosfera.
Com uma projeção de movimentação anual que varia entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas, a ferrovia foi desenhada para operar de forma bidirecional. Isso significa que, enquanto o gesso do Araripe, grãos e produtos siderúrgicos descem em direção ao Porto de Suape para exportação, combustíveis, insumos agrícolas e fertilizantes importados sobem de volta para abastecer o interior do Nordeste.
Como o projeto afeta a economia e o emprego local
O impacto social imediato é um dos argumentos mais fortes defendidos pela Sudene e por lideranças políticas da região. A estimativa é de que a fase de construção civil gere cerca de 13 mil empregos diretos, um alento importante para uma região que convive com desafios econômicos históricos. Na fase de operação, outros 9,6 mil postos de trabalho permanentes devem ser criados em terminais e na malha ferroviária.
Além disso, a área de influência direta dos terminais de Salgueiro e Suape concentra nada menos que 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste. O estudo estima um impacto bilionário na economia regional: são mais de R$ 8,23 bilhões injetados durante a implantação e um acréscimo anual permanente de R$ 910 milhões na economia local a partir do momento em que os trens começarem a rodar.
O que está por trás do julgamento no TCU
Para evitar os antigos gargalos burocráticos e garantir uma governança robusta, a Sudene propôs a criação de uma câmara de conciliação interinstitucional. Essa estrutura terá o papel de mediar e acelerar decisões complexas ligadas a licenciamentos socioambientais, desapropriações fundiárias e articulações entre governos estadual e federal.
A movimentação política em Brasília para destravar a obra é intensa. Parlamentares pernambucanos defendem que o novo estudo, somado a posicionamentos divergentes anteriores dentro do próprio tribunal, abre caminho técnico seguro para que o pleno do TCU aprove a retomada imediata.
A decisão do TCU não apenas definirá o destino de bilhões de reais em investimentos em Pernambuco, mas também servirá como termômetro para a capacidade do país de planejar, financiar e concluir grandes obras de infraestrutura que combinem eficiência fiscal com desenvolvimento social. Se liberada, a Transnordestina deixará de ser uma promessa histórica para se consolidar como a espinha dorsal logística do Nordeste moderno.