0:00 Ouça a Rádio
Qui, 03 de Setembro
Tesouro

União cobre R$ 834,8 milhões em parcelas de dívidas atrasadas de estados e municípios em maio

15 jun 2026 - 20h25 Alexsander Arcelino   atualizado às 21h53
close em cédulas de Real empilhadas sobre uma mesa de madeira escura, ilustrando a movimentação de recursos financeiros públicos Relatório do Tesouro aponta repasse de R$ 834,8 milhões para cobrir parcelas em atraso de entes federados em maio (Imagem: Foto: José Cruz / Agência Brasil / Arquivo)

O governo federal precisou injetar um volume expressivo de capital para cobrir a inadimplência de governos estaduais e municipais junto a instituições financeiras. De acordo com o Relatório de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, publicado nesta segunda-feira (15) pelo Tesouro Nacional, a União desembolsou R$ 834,8 milhões em maio para quitar parcelas de empréstimos em atraso de entes subnacionais. Com esse resultado, o socorro financeiro acumulado nos primeiros cinco meses de 2026 já atinge a marca de R$ 2,2 bilhões.

O mecanismo de garantia funciona como uma espécie de aval institucional. Quando estados e municípios contratam financiamentos de grande porte com bancos nacionais ou organismos internacionais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a União atua como fiadora. Caso os devedores principais não efetuem o pagamento das parcelas nos prazos estipulados, os credores notificam formalmente o governo federal, que realiza a quitação imediata dos valores, incluindo juros e encargos de mora.

Raio-X dos desembolsos e prefeituras acionadas

O balanço mensal detalha de forma nítida quais administrações públicas demandaram a maior fatia do suporte financeiro federal no mês passado. O cenário de fragilidade fiscal concentra-se majoritariamente em três estados:

  • Rio de Janeiro: Liderou os acionamentos com um montante de R$ 619,61 milhões cobertos pelo caixa federal;

  • Rio Grande do Sul: Demandou o pagamento de R$ 212,36 milhões pelo governo central;

  • Rio Grande do Norte: Teve R$ 2,66 milhões em parcelas honradas pela União.

Na esfera municipal, duas prefeituras do interior também dependeram do aval federal para evitar sanções diretas de credores. O Tesouro Nacional cobriu uma pendência de R$ 99,88 mil do município de Paranã (TO) e outra de R$ 67,91 mil de Santanópolis (BA). No histórico de longo prazo, calculando as operações realizadas desde 2016, o governo federal já precisou desembolsar o montante global de R$ 88,73 bilhões para saldar calotes de entes federados.

Retenção de repasses e o travamento de contragarantias

A legislação prevê um sistema punitivo de ressarcimento para proteger o caixa da União. Sempre que honra uma dívida, o Ministério da Fazenda tem a prerrogativa de executar as chamadas contragarantias, retendo automaticamente repasses de receitas federais ordinárias, como as fatias do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). No entanto, o processo de recuperação encontra fortes barreiras jurídicas.

Do total de R$ 88,73 bilhões desembolsados na última década, cerca de R$ 80,96 bilhões encontram-se temporariamente bloqueados para execução e cobrança. O travamento decorre de decisões liminares proferidas pelo Poder Judiciário ou pela adesão de estados a Regimes de Recuperação Fiscal (RRF), que congelam as sanções. Ainda assim, a União conseguiu reaver R$ 6,04 bilhões em contragarantias desde 2016 (sendo R$ 118,04 milhões recuperados apenas no corrente ano), com destaque para ressarcimentos feitos pelo Rio de Janeiro (R$ 2,77 bilhões) e Minas Gerais (R$ 1,45 bilhão).

Propag e as regras de exceção do caixa gaúcho

Como estratégia para solucionar o endividamento crônico, o governo federal encerrou no final do ano passado o prazo de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). O plano especial obteve a adesão em massa de 22 unidades da Federação, restando de fora apenas o Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraná e Santa Catarina. O programa permite o refinanciamento dos débitos em até 30 anos com desconto real nos juros exigidos, vinculando os estados a um plano severo de privatizações, venda de ativos e corte de gastos públicos. Em contrapartida, os recursos economizados abastecem o Fundo de Equalização Federativa (FEF), voltado para investimentos em infraestrutura e serviços básicos.

Por fim, o Rio Grande do Sul conta com um ecossistema de regras financeiras totalmente diferenciado em decorrência do estado de calamidade pública provocado pelas enchentes históricas de 2024. A União suspendeu integralmente o pagamento das parcelas da dívida gaúcha por um período de 36 meses, concedendo simultaneamente o perdão total dos juros anuais (de 4% mais a variação da inflação) durante o triênio. O estoque da dívida do governo gaúcho com a federação gira em torno de R$ 100 bilhões, e os valores que deixam de ser enviados a Brasília estão sendo obrigatoriamente vinculados a um fundo estadual exclusivo para financiar as obras de reconstrução das cidades atingidas.

Mais notícias
INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Aposentados INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Economia Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Economia Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Economia Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
Economia Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Jurídico STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Tributário Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Legislativo Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Economia Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Economia Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Mais Lidas
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Saúde OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek
Série Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek