Conselho Monetário Nacional corta juros de financiamentos no Pronaf para cooperativas, estimulando produtividade na pecuária de corte e leite.
(Imagem: CNA/ Wenderson Araujo/Trilux)
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (26) uma redução expressiva nas taxas de juros para financiamentos destinados a cooperativas de agricultura familiar no Pronaf, focando no melhoramento genético da bovinocultura de corte e leite.
A decisão baixa a taxa de 8% para 3% ao ano na linha Pronaf Mais Alimentos, estendendo o benefício às cooperativas que antes estavam excluídas dessa condição especial. A medida vale para aquisição de sêmen, óvulos e embriões, essenciais para elevar a qualidade genética do rebanho.
Acesso ampliado ao crédito rural
Essa mudança, formalizada pela Resolução CMN nº 5.288, permite que cooperativas financiem esses insumos em escala, beneficiando diretamente milhares de produtores associados. Anteriormente restrito a agricultores individuais, o incentivo agora reconhece a estrutura coletiva como vetor de desenvolvimento rural.
O Pronaf Mais Alimentos financia modernização produtiva, incluindo serviços como inseminação artificial e transferência embrionária, que podem representar até 70% do valor do contrato, expansão frente ao limite anterior de 30%. O governo estima ganho de produtividade de até 20% em rebanhos melhorados geneticamente.
No paralelo, o programa Renovagro ganha flexibilidade ao autorizar financiamentos isolados desses materiais genéticos, sem obrigatoriedade de projetos integrados. Isso facilita investimentos pontuais em genética, alinhando-se a demandas específicas de cada região produtora.
Pecuária familiar em foco
A agricultura familiar sustenta 77% dos estabelecimentos rurais brasileiros, produzindo 23% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) e gerando 10 milhões de vagas no campo. Desses, cerca de 11% estão vinculados a cooperativas, que concentram compras coletivas e treinamentos técnicos.
Na bovinocultura, o impacto é imediato: raças mais resistentes a pragas e secas, maior volume de leite por vaca e carne de melhor qualidade. Regiões como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, polos leiteiros e de corte, lideram as demandas por esses créditos.
Cooperativas rurais, segundo estudos recentes, multiplicam em quatro vezes o faturamento médio dos produtores isolados, ao garantir escoamento, armazenagem e acesso a mercados premium. Na Amazônia, onde 3% das famílias cooperativadas enfrentam logística desafiadora, a medida pode frear o êxodo rural.
Funcafé recebe injeção recorde
Complementando a pauta agrícola, o CMN fixou R$ 7,37 bilhões para o Funcafé em 2026, valor 2,6% superior aos R$ 7,18 bilhões da safra anterior. Os recursos atenderão custeio, comercialização, capital de giro e recuperação de cafezais afetados por geadas e pragas.
O café, que movimenta R$ 60 bilhões anuais na economia brasileira, ganha fôlego para enfrentar oscilações cambiais e concorrência global. Linhas específicas para pequenos produtores, que cultivam 70% do café arábica nacional, priorizarão sustentabilidade e certificação.
A definição das alocações ficará a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), conforme normativos do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC). Essa estabilidade financeira chega em ano de safra projetada em 65 milhões de sacas.
Estratégia nacional para o agro
Presidida pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, com participação do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo e da ministra do Planejamento Simone Tebet, a reunião do CMN sinaliza prioridade ao pequeno produtor em meio a um cenário global volátil.
A equalização de juros pelo Tesouro Nacional garante viabilidade aos bancos credenciados, como Banco do Brasil, Caixa e cooperativas de crédito. Produtores precisam de projetos elaborados por agrônomos ou veterinários habilitados pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).
Estudos da Embrapa comprovam que cada R$ 1 investido em crédito Pronaf gera R$ 2,5 em atividade econômica local, via insumos, mão de obra e consumo familiar. A redução de custos financeiros alivia endividamento crônico, que afeta 40% dos pequenos pecuaristas.
Benefícios de longo prazo
Além da genética animal, o Pronaf financia tratores, irrigação e recuperação de pastagens, com taxas competitivas frente aos 13% a.a. do mercado. O Renovagro complementa com foco em sistemas agroecológicos, premiando práticas de baixa emissão de carbono.
Para 2026, projeções indicam alta de 8% na produção leiteira familiar, atingindo 12 bilhões de litros anuais. No café, o reforço deve estabilizar preços internos, beneficiando 1,5 milhão de famílias cafeicultoras.
O cooperativismo agropecuário cresceu 15% nos últimos cinco anos, agregando 200 mil novos associados. Essa estrutura coletiva potencializa os ganhos do Pronaf, transformando créditos individuais em investimentos comunitários duradouros.
Passos para acessar o crédito
Agricultores e cooperativas devem procurar instituições financeiras credenciadas, com DAP ativa (Declaração de Aptidão ao Pronaf) e projetos técnicos aprovados. Simulações online no site do Banco do Brasil facilitam o planejamento.
- Taxa Pronaf genética bovina: 3% a.a. para cooperativas e individuais.
- Limite por contrato: Até R$ 200 mil por produtor/cooperativa.
- Prazo: Até 10 anos, com carência de 3 anos.
- Funcafé 2026: R$ 7,37 bi, com foco em pequenos cafezais.
- Agricultura familiar: 3,9 milhões de propriedades, 67% dos empregos rurais.
- Cooperativas impacto: +400% faturamento médio vs. produtores solos.
Com essas medidas, o CMN pavimenta o caminho para uma agricultura familiar mais competitiva e resiliente, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à soberania alimentar do Brasil. O campo ganha não só crédito barato, mas confiança para inovar e crescer.