Crescimento do emprego formal contribui para aumento da participação na Previdência Social.
(Imagem: © Marcello Casal Jr / Agência Brasil)
O Brasil registrou 66,8% da população ocupada contribuindo para algum regime previdenciário no trimestre encerrado em fevereiro. O índice representa cerca de 68,196 milhões de trabalhadores cobertos pela Previdência Social, o maior percentual desde o início da série histórica da pesquisa.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que monitora indicadores do mercado de trabalho entre pessoas com 14 anos ou mais.
Ao contribuir para regimes previdenciários, trabalhadores passam a ter direito a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte, entre outras garantias.
Número de contribuintes já foi maior em 2025
Apesar do recorde proporcional, o número absoluto de contribuintes foi ligeiramente maior no quarto trimestre de 2025, quando o país contabilizou 68,496 milhões de trabalhadores contribuindo para algum sistema de previdência. Naquele período, porém, a participação representava 66,5% do total de ocupados.
O IBGE considera como contribuintes:
- empregados do setor público e privado
- empregadores
- trabalhadores domésticos
- trabalhadores por conta própria
Todos que tenham contribuído para regimes previdenciários como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Plano de Seguridade Social da União ou sistemas estaduais e municipais.
Contribuintes superam trabalhadores formais
Outro dado relevante da pesquisa é que o número de contribuintes (68,196 milhões) supera o total de trabalhadores formais, estimado em 63,8 milhões.
Isso ocorre porque trabalhadores informais também podem contribuir para a previdência como contribuintes individuais, mesmo sem possuir CNPJ ou vínculo formal de emprego.
Emprego formal ajuda a elevar contribuição
Para o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o recorde está ligado ao crescimento do emprego formal.
Segundo ele, o avanço das vagas com carteira assinada aumenta automaticamente o número de pessoas que contribuem para o sistema previdenciário.
No trimestre encerrado em fevereiro, o país registrou 39,2 milhões de empregados no setor privado com carteira assinada, número considerado estável em comparação com períodos recentes.
Renda média também bate recorde
A pesquisa também apontou recorde no rendimento médio mensal do trabalhador, que chegou a R$ 3.679.
O valor representa:
- alta de 2% em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2025
- crescimento de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior
Segundo especialistas, o aumento do emprego formal e da renda pode contribuir para fortalecer o sistema previdenciário no longo prazo, especialmente diante do envelhecimento da população brasileira.
Tendência depende do crescimento da economia
De acordo com analistas, a tendência é que o percentual de trabalhadores contribuintes continue crescendo, desde que o mercado de trabalho permaneça aquecido.
Dados da pesquisa mostram que o Brasil historicamente mantém mais de 60% dos trabalhadores contribuindo para a previdência, sendo o menor índice registrado 61,9% no trimestre encerrado em maio de 2012.