Reforma tributária mantém o MEI, mas traz novas exigências para emissão de notas fiscais e controle de receitas.
(Imagem: Marcello Casal Jr Agência Brasil)
As mudanças previstas na Reforma Tributária brasileira devem impactar a rotina de quem atua como Microempreendedor Individual (MEI). Apesar das alterações no sistema de impostos, o modelo simplificado continuará existindo.
No entanto, especialistas alertam que o cenário de negócios pode mudar, exigindo maior organização e planejamento por parte dos microempreendedores.
Uma das tendências apontadas é que empresas maiores passem a pressionar fornecedores enquadrados como MEI a migrarem para regimes tributários que permitam a geração de créditos fiscais.
Além disso, o controle sobre as operações deve aumentar, especialmente por parte da Receita Federal do Brasil, que poderá acompanhar com mais precisão a emissão de notas fiscais e o fluxo de pagamentos.
Emissão de nota fiscal será obrigatória
Uma das principais mudanças previstas será a ampliação da obrigatoriedade de emissão de nota fiscal.
Atualmente, o MEI precisa emitir o documento fiscal apenas quando presta serviços ou vende produtos para empresas. Com as novas regras, a partir de 1º de janeiro de 2027, a emissão também será obrigatória quando o cliente for pessoa física.
A medida faz parte do processo de modernização do sistema tributário e busca ampliar a transparência nas operações comerciais.
Mudança no cálculo da receita anual
Outro ponto importante envolve a definição de receita bruta anual do microempreendedor.
Segundo o analista de Políticas Públicas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Edgard Fernandes, o cálculo passará a considerar todos os faturamentos obtidos ao longo do ano.
Isso inclui valores registrados em diferentes CNPJs do MEI no mesmo período e também receitas provenientes de atividades como autônomo.
Apoio e orientação aos pequenos negócios
Para auxiliar os microempreendedores durante o período de transição, o Sebrae disponibiliza ferramentas gratuitas, incluindo um sistema de emissão de notas fiscais voltado ao MEI.
Além disso, a instituição oferece cursos e orientações sobre gestão financeira, precificação de produtos e organização empresarial, com o objetivo de preparar os pequenos negócios para as novas regras.
Cronograma da reforma tributária
A implementação da reforma ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos anos.
Entre as principais etapas previstas estão:
- 2026: início da fase de testes com alíquotas simbólicas
- 2027: início da cobrança da CBS, que substituirá o PIS e a Cofins
- 2029: início da substituição do ICMS e ISS pelo novo imposto IBS
- 2033: conclusão da transição, com extinção total dos tributos antigos
Durante esse período, o Simples Nacional continuará existindo. As empresas poderão escolher entre recolher os novos tributos pelo próprio regime simplificado ou pelo modelo regular.
Já o MEI continuará com pagamento mensal fixo, mantendo a simplicidade do sistema.
Novo modelo de impostos
A reforma tributária prevê a substituição de cinco tributos atuais por dois novos impostos principais:
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
Juntos, esses tributos formam um modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), utilizado em mais de 170 países.
A estimativa é que a alíquota total fique entre 26% e 28%, embora setores considerados essenciais, como saúde e educação, tenham redução de 60%. Já itens da cesta básica devem ter alíquota zero.
O objetivo da mudança é simplificar o sistema tributário brasileiro, reduzir burocracias e evitar a chamada tributação em cascata.