O controle de distúrbios metabólicos gerados pelo açúcar é apontado por cientistas como um escudo contra o declínio cognitivo
(Imagem: Canva)
O impacto negativo do consumo desenfreado de doces e produtos ultraprocessados no metabolismo já é amplamente conhecido. Contudo, a comunidade científica internacional tem voltado seus esforços para compreender uma relação ainda mais complexa: como o excesso de carboidratos simples na dieta prejudica a saúde do cérebro e pode acelerar as condições que favorecem o aparecimento da doença de Alzheimer.
As diretrizes oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Redução do Risco de Declínio Cognitivo e Demência enfatizam que o manejo clínico do diabetes, da obesidade e da hipertensão, somado a hábitos alimentares equilibrados, são pilares cruciais para proteger as funções cognitivas na velhice. Complementando essa visão, o relatório da comissão médica The Lancet apontou que aproximadamente 45% dos diagnósticos globais de demência poderiam ser evitados ou postergados se os pacientes controlassem fatores de risco modificáveis, como o sedentarismo, o tabagismo e os desequilíbrios metabólicos.
A conexão biológica entre o diabetes e a demência
A ligação entre os distúrbios glicêmicos e a degeneração neurológica foi esmiuçada em uma revisão publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. O estudo constatou que indivíduos diagnosticados com diabetes tipo 2 enfrentam uma probabilidade significativamente maior de desenvolver demências, incluindo o Alzheimer.
A explicação para esse fenômeno reside no comportamento das células nervosas frente aos picos de glicose:
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Resistência à insulina: O hormônio insulina também atua no sistema nervoso central. Quando o corpo desenvolve resistência a ele devido ao consumo abusivo de açúcar, o funcionamento dos neurônios fica gravemente comprometido;
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Processos inflamatórios: O excesso de glicose circulante estimula uma resposta inflamatória crônica nos tecidos cerebrais;
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Danos vasculares: O açúcar danifica os microvasos sanguíneos que irrigam o cérebro, reduzindo o aporte de oxigênio e nutrientes essenciais para as sinapses (comunicação entre neurônios).
Embora a ciência ainda não tenha estabelecido um nexo de causalidade direta ou seja, não se pode afirmar que o açúcar isoladamente "provoque" o Alzheimer, mitigar o impacto das doenças metabólicas é considerado a estratégia preventiva mais eficaz disponível hoje.
Nutrição preventiva e metas de consumo
Para blindar as funções cognitivas durante o envelhecimento, a recomendação consensual entre médicos e nutricionistas envolve a substituição de calorias vazias por uma dieta densa em nutrientes. Cardápios ricos em vegetais, leguminosas, grãos integrais, gorduras boas (como azeite e castanhas) e proteínas magras atuam diretamente na estabilização da glicemia e do colesterol.
A OMS estipula que a ingestão de açúcares livres não deve ultrapassar o teto de 10% do valor calórico diário de um adulto. No entanto, o órgão ressalta que restringir esse índice para menos de 5% o equivalente a cerca de 25 gramas ou duas colheres de sopa rasas por dia proporciona uma proteção significativamente maior contra os gatilhos inflamatórios que ameaçam a integridade neural a longo prazo.