O Largo do Pelourinho, em Salvador, será palco da 10ª edição da Flipelô, reunindo centenas de escritores.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Pelourinho, icônico centro histórico de Salvador, está prestes a se transformar no maior palco da literatura brasileira contemporânea. Entre os dias 5 e 9 de agosto, a Festa Literária Internacional do Pelourinho, carinhosamente conhecida como Flipelô, realiza sua histórica décima edição reunindo mais de 500 escritores nacionais e internacionais.
O evento projeta atrair cerca de 250 mil visitantes nesta edição. Ao todo, serão mais de 150 espaços públicos e privados movimentando a capital baiana com debates, recitais, oficinas e shows gratuitos, reforçando o turismo e a economia criativa local.
Na prática, a Flipelô vai muito além de uma tradicional feira de livros: trata-se de um movimento de ocupação urbana e celebração da identidade cultural. Com a organização da Fundação Casa de Jorge Amado, que atinge a marca histórica de 40 anos de existência, o festival conecta diferentes gerações de leitores e autores no coração da Bahia.
Grandes nomes confirmados e o que muda na prática
A programação deste ano traz um elenco de peso que reflete a diversidade e a força da produção literária atual. Entre as presenças confirmadas estão autores premiados e de grande apelo comercial, como Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum e Ana Maria Gonçalves.
Mas o impacto cultural vai além dos livros. O público também poderá acompanhar debates com o humorista Gregório Duvivier, apresentações do cantor Chico Chico, e reflexões propostas pelas jornalistas Astrid Fontenelle e Eliana Alves Cruz, além das rimas marcantes de Bráulio Bessa.
A representatividade internacional também ganha força com nomes como a norte-americana Tracy Mann e o espanhol Pablo Fidalgo. Eles se juntam a centenas de criadores locais para discutir o papel da arte e da escrita em tempos de profunda transformação social.
Por que esta edição histórica importa agora
Chegar à décima edição consolida um sonho iniciado pela sensibilidade da poeta Myriam Fraga, fundadora da iniciativa, que idealizou o festival como uma forma de salvaguardar a imensa memória de Jorge Amado e impulsionar novos talentos locais.
"A Flipelô se consolidou como um grande espaço de encontro, reunindo escritores, artistas, leitores, moradores e visitantes em torno dos livros e das mais diversas expressões culturais", aponta Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, reafirmando o papel transformador da festa.
Além das concorridas mesas de conversa, o evento prestará uma homenagem dupla e tocante: à própria Myriam Fraga, imortal da Academia de Letras da Bahia, e ao artista plástico Calasans Neto, cujas ilustrações históricas deram vida a dezenas de obras de Jorge Amado.
O que esperar da abertura e das conexões futuras
A abertura oficial ocorre na noite de 5 de agosto com um show gratuito de Belô Velloso no Largo do Pelourinho, mesclando música e a recitação de poemas marcantes da homenageada do ano.
Em um momento onde o acesso democrático à cultura se mostra cada vez mais essencial, o sucesso contínuo da Flipelô demonstra a força das ruas de Salvador como polo dinâmico de fomento artístico.
Ao unir o passado glorioso da literatura baiana com as novas vozes periféricas e globais, o evento não apenas celebra conquistas passadas, mas planta sementes fundamentais para formar as próximas gerações de leitores e escritores no Brasil.