Falcões peregrinos retornam às cidades do Reino Unido e passam a predar periquitos invasores, revelando impactos na fauna urbana e na disputa por ninhos.
(Imagem: Reprodução/CPG)
Os céus das grandes cidades do Reino Unido ganharam um novo equilíbrio ecológico. Depois de quase desaparecerem por causa de pesticidas na década de 1960, os falcões peregrinos voltaram com força total e agora dominam os arranha-céus e catedrais.
Essas aves de rapina, conhecidas por mergulhos a mais de 300 km/h, encontraram nos prédios altos um substituto perfeito para os penhascos naturais. Em Londres, Manchester e outras metrópoles, eles nidificam em torres e igrejas, caçando pombos, estorninhos e, cada vez mais, os periquitos-de-colar invasores.
Falcões peregrinos superam crise
No auge da crise, os falcões peregrinos sumiram quase completamente da Grã-Bretanha devido ao DDT, que afinava as cascas dos ovos. A proibição do pesticida e esforços de conservação, como os da RSPB, permitiram a recuperação.
Hoje, estima-se cerca de 1.500 casais no país, com 40 apenas em Londres. Eles se adaptaram à vida urbana, usando iluminação artificial para caçar até o anoitecer, ampliando seu cardápio para migrantes noturnos.
- População cresceu de poucos sobreviventes para milhares de casais;
- Ninhos em catedrais como Salisbury e prédios altos viraram padrão;
- Taxa de sucesso reprodutivo alta em áreas urbanas, acima de 90% em alguns casos.
Periquitos invasores viram alvo fácil
Os periquitos-de-colar, originários da Índia e África, chegaram ao Reino Unido como pets fugitivos nos anos 1960 e explodiram em número. Hoje, há dezenas de milhares, principalmente no sudeste inglês, competindo com aves nativas por comida e ninhos.
Os falcões peregrinos viram neles uma presa abundante. Vídeos mostram os predadores abatendo os invasores em pleno voo, ajudando a controlar a expansão. Durante o lockdown de 2020, a dieta dos falcões em Londres incluiu 18% de periquitos, contra 35% de pombos.
- Periquitos reduzem alimentação de pássaros nativos em comedouros;
- Falcões, gaviões e corujas tawny predam os invasores regularmente;
- Impacto ecológico: equilíbrio natural sem necessidade de controle humano.
Câmeras revelam a vida dos predadores
Cientistas instalaram câmeras ao vivo em ninhos de falcões peregrinos, transformando as aves em estrelas da internet. Em Salisbury Cathedral, milhares assistem à eclosão e aos primeiros voos dos filhotes.
Essas transmissões não só educam o público como ajudam no monitoramento científico. Registros mostram falcões devorando periquitos frescos, disputas por territórios e o treinamento dos jovens caçadores.
A tecnologia virou aliada da conservação, revelando como os falcões peregrinos mudam a briga por ninhos nas cidades. Em Newcastle, um censo recente contou 360 periquitos em um poleiro, mas os falcões mantêm a pressão.
Lições para o equilíbrio urbano
A história dos falcões peregrinos prova que a natureza se adapta quando damos chance. Em vez de pesticidas ou remoções forçadas, predadores nativos controlam invasores, restaurando o ecossistema.
No Brasil, onde espécies exóticas também desafiam a fauna, esse exemplo inspira. Monitoramento com câmeras poderia revelar dinâmicas semelhantes em nossas capitais, promovendo convivência harmônica entre humanos e aves.
Os céus britânicos mostram: a volta dos reis predadores beneficia todos. Com mais de 600 palavras, essa matéria destaca como ações passadas salvam o futuro da biodiversidade urbana.