Episódio inédito explora Santa Catarina e Paraná, com exploradores e cultura guarani.
(Imagem: TV Brasil)
Uma jornada pelo tempo e pela natureza ganha as telas da TV Brasil neste sábado. O quinto episódio da série Olhar Brasil mergulha no Caminho do Peabiru, trilha pré-colombiana que corta a América do Sul do Atlântico ao Pacífico. A produção inédita, exibida às 18h30, revela segredos de uma rota sagrada para os guaranis, usada há milênios em migrações espirituais e trocas culturais.
O Caminho do Peabiru não é só um caminho de terra batida: representa a engenharia indígena antiga, com mais de 4 mil quilômetros pavimentados em trechos difíceis e sinalizados por inscrições rupestres. Originário do tupi-guarani, o nome significa "caminho gramado amassado", evocando pegadas ancestrais que moldaram a paisagem sul-americana.
Origens e significado sagrado
Os povos guaranis viam o Caminho do Peabiru como o "Caminho da Terra Sem Mal", guiado pelo sol e pela Via Láctea em busca da morada dos deuses. Essa rede de trilhas facilitava comércio de sal, penas e metais, além de migrações e rituais de purificação. No Brasil, ramais partem de Santa Catarina e São Paulo, cruzando o Paraná até Foz do Iguaçu, Paraguai, Bolívia e Peru.
Estima-se que a rota tenha sido usada há mais de 3 mil anos, conectando incas e indígenas locais em um intercâmbio que moldou culturas pré-colombianas. No Paraná, atravessa 97 municípios e foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial pela Lei Estadual nº 21.046, de 2022, impulsionando turismo sustentável e preservação.
- Ramais principais no Brasil: Florianópolis e Barra Velha (SC), Paranaguá (PR), Cananeia e São Vicente (SP).
- Funções históricas: comércio, migrações, peregrinações religiosas e estratégias militares.
- Extensão total: cerca de 3.000 a 4.000 km, a maior estrada transcontinental pré-colombiana.
Exploradores europeus pioneiros
No século XVI, o português Aleixo Garcia naufragou em Santa Catarina e, após oito anos com os guaranis, liderou expedição pelo Caminho do Peabiru até o Império Inca, saqueando ouro e prata. Anos depois, o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca partiu da foz do rio Itapocu, descobrindo as Cataratas do Iguaçu em 1542. Esses episódios marcam o contato europeu com a rota.
O episódio da TV Brasil, dirigido por Carlos Dominguez e produzido pela TV UFPEL, destaca esses feitos com depoimentos de especialistas como a jornalista Rosana Bond, o historiador José Carlos Fagundes e o cacique Teófilo Gonçalves Karay. A narrativa enfatiza a harmonia indígena com o ambiente, contrastando com a exploração colonial.
Gravuras rupestres em Pitanga (PR) e marcos de pedras sinalizam nascentes e afluentes, preservando mistérios descritos nos diários de Cabeza de Vaca. A série usa armadilhas fotográficas para capturar fauna noturna, como o tiê-sangue e o gato-maracajá.
Preservação e potencial turístico
O Parque Municipal Caminho do Peabiru, em Barra Velha (SC), aberto em 2022, protege 121 hectares de restinga e Mata Atlântica, com trilhas ecológicas e espécies ameaçadas como o guanandi. Ali, turistas revivem vistas ancestrais, promovendo educação ambiental e contato com a biodiversidade.
A TV Brasil, via coprodução da EBC com a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), fortalece o audiovisual regional. Olhar Brasil tem dez episódios, do edital de 2024 com 36 inscritos, cobrindo Serra da Capivara (PI) a Novo Airão (AM), valorizando rotas de aventura e tradições.
- Outros destinos: Quilombo Kalunga (GO), Chapada dos Veadeiros (GO), gastronomia de Florianópolis (SC).
- Acesso: TV Brasil aberta, TV Brasil Play (app gratuito Android/iOS), YouTube e site oficial.
- Reprise: madrugada de domingo, às 2h30.
Impacto cultural atual
O diretor Manoel Borges destaca o caráter colaborativo da série, respeitando sotaques e visões locais para uma narrativa plural. "É um resgate da harmonia nativa com o meio ambiente", afirma Dominguez, alertando para desafios na preservação arqueológica.
No Paraná, o Governo promove eixos de turismo, educação, cultura, esporte e meio ambiente ao longo da rota. Eventos de trekking e ciclismo geram renda sustentável, conectando comunidades e unidades de conservação.
Assista ao episódio sobre o Caminho do Peabiru e descubra como essa herança indígena pulsa viva, unindo passado e futuro em uma trilha de fé, natureza e autoconhecimento. A exibição reforça a diversidade brasileira, ampliando vozes regionais no canal público.