Gigante da moda europeia retorna ao Brasil.
(Imagem: Freepik)
Após dez anos fora do Brasil, uma das marcas de moda mais reconhecidas da Europa volta a operar no país — desta vez, de forma discreta, estratégica e alinhada ao novo comportamento do consumidor.
A operação marca um reposicionamento completo em relação à tentativa anterior, encerrada em 2013, quando o ambiente econômico, logístico e digital ainda impunha barreiras significativas ao varejo internacional.
Fundada em 1984, em Barcelona, a marca construiu reputação global ao combinar design sofisticado, estética minimalista e preços intermediários, posicionando-se entre o fast fashion tradicional e as grifes de luxo.
Agora, seu retorno acontece em um cenário profundamente transformado, no qual o comércio eletrônico se tornou protagonista e as lojas físicas deixaram de ser o centro das estratégias de expansão.
Um novo modelo para um velho desafio
A decisão de retornar ao Brasil vem acompanhada de uma mudança estrutural no modelo de negócios. Diferentemente da operação anterior, a marca optou por não abrir lojas físicas, evitando custos elevados com aluguel, operação e pessoal.
A estratégia atual é 100% digital, refletindo uma leitura clara das transformações do varejo e do amadurecimento do consumidor brasileiro no ambiente online.
Na saída de 2013, fatores como burocracia, logística complexa e um e-commerce ainda incipiente foram determinantes. Hoje, o cenário é outro: plataformas mais robustas, consumidores mais confiantes e cadeias de entrega mais eficientes tornaram o país novamente atrativo.
A força de uma parceria local estratégica
Para viabilizar a operação, a marca firmou parceria exclusiva com a Dafiti, uma das maiores plataformas de moda online da América Latina. O acordo permite acesso imediato a uma infraestrutura logística consolidada, com entregas em todo o território nacional, além de visibilidade junto a uma base ampla de consumidores.
Esse modelo reduz riscos financeiros, acelera a entrada no mercado e garante escalabilidade.
Ao terceirizar parte da complexidade operacional, a marca consegue concentrar esforços em produto, posicionamento e experiência digital, pilares essenciais no varejo contemporâneo.
Moda funcional com assinatura europeia
A coleção lançada no Brasil reflete o DNA da marca: peças versáteis, atemporais e com forte apelo urbano. Entre os destaques estão itens de alfaiataria de corte limpo, tricôs voltados para a meia-estação e jeans com modelagens modernas, pensados para conforto e praticidade.
A proposta atende a um consumidor que busca sofisticação sem excessos, com roupas que transitam do ambiente profissional ao lazer. O posicionamento permanece como um “meio-termo” aspiracional — acima das lojas de departamento, mas abaixo do luxo tradicional.
Diversidade corporal ainda é um ponto sensível
Apesar do retorno bem estruturado, a operação já enfrenta críticas relacionadas à limitação da grade de tamanhos, atualmente restrita até o GG.
Em um mercado reconhecido por sua diversidade corporal, a ausência de opções plus size é vista como um desafio relevante.
Especialistas do setor avaliam que a ampliação da grade será fundamental para fortalecer a presença da marca no país e ampliar sua base de consumidores no médio prazo.
Um sinal dos novos tempos do varejo
Mais do que a volta de uma marca internacional, o movimento simboliza a adaptação do varejo global a um novo ciclo. Digitalização, eficiência operacional e parcerias locais se tornam essenciais para competir em mercados complexos como o brasileiro. Desta vez, o retorno parece menos impulsivo — e muito mais estratégico.