Calor no Rio: Zona Norte atinge 50°C em ilhas de calor.
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Viver na Zona Norte do Rio de Janeiro durante o verão tornou-se um desafio de sobrevivência climática que vai muito além do desconforto térmico. Um estudo recente revela que a região se consolidou como o ponto mais quente da capital fluminense, com termômetros de superfície atingindo marcas impressionantes e perigosas para a saúde pública.
A análise, encomendada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaema) e realizada em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), mapeou a evolução das ilhas de calor urbanas ao longo de 25 anos, entre 2001 e 2025. O diagnóstico detalhado acende um alerta vermelho sobre a desigualdade ambiental que divide o município.
Na prática, o asfalto excessivo e a ausência de áreas verdes cobram um preço alto, afetando diretamente a rotina de milhões de cariocas que vivem longe das brisas marítimas e dos parques florestais.
O que está por trás do calor extremo na Zona Norte
O levantamento mostra que os bairros da Zona Norte registraram médias de temperatura da superfície terrestre de até 42,3°C em 2025. Em dias de calor intenso no verão, a situação é ainda mais crítica: bairros tradicionais como Vila da Penha, Higienópolis, Jacaré e Del Castilho registraram temperaturas de superfície próximas de 47°C, enquanto algumas comunidades ultrapassaram a barreira dos 50°C.
Essa disparidade fica evidente quando comparada à Zona Sul, a região mais amena do Rio. Protegida pela vegetação abundante do Maciço da Tijuca e pela proximidade do oceano, a área nobre manteve médias térmicas em torno de brandos 25°C, desenhando um verdadeiro abismo de temperatura dentro da própria cidade.
Como a falta de planejamento urbano afeta a população
O fenômeno das ilhas de calor ocorre quando o solo é intensamente impermeabilizado por asfalto e concreto, reduzindo drasticamente a capacidade de absorção de calor. Sem árvores para gerar sombra e umidade, essas superfícies retêm a radiação solar e transformam o ambiente urbano em um forno contínuo.
Mas o impacto vai além do desconforto diário. Esse aquecimento extremo afeta a saúde de idosos e crianças, sobrecarrega o consumo de energia elétrica e agrava problemas respiratórios e cardiovasculares na população mais vulnerável.
O que pode acontecer a partir de agora
O Ministério Público pretende utilizar este diagnóstico científico para direcionar ações de fiscalização e exigir medidas compensatórias eficazes do poder público. A prioridade máxima será a implementação de soluções baseadas na natureza, como o plantio em massa de árvores e a criação de novos corredores verdes nas periferias.
Além disso, o estudo acende um alerta para as frentes de expansão imobiliária e logística nas zonas Oeste e Sudoeste. Se o crescimento urbano dessas novas áreas não for acompanhado de um planejamento ambiental rígido, o Rio de Janeiro corre o risco de criar novas e imensas zonas de calor extremo nas próximas décadas.