Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital utilizado por trabalhadores brasileiros.
(Imagem: Marcelo Camargo Agência Brasil)
O mercado de trabalho brasileiro consolidou uma trajetória de expansão e atingiu um novo patamar de ocupação regulamentada. O estoque de postos de trabalho com carteira assinada e estatutários registrou um crescimento de 3,6% no intervalo de 12 meses, alcançando a marca de 62,2 milhões de vínculos ativos em fevereiro de 2026. Os indicadores foram extraídos da nova Relação Anual de Informações Sociais (Rais) Mensalizada, relatório estatístico publicado nesta quarta-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O avanço macroeconômico representa o acréscimo líquido de 2,17 milhões de vagas no ecossistema laboral em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desenho atual das contratações no país revela que a iniciativa privada responde pela fatia majoritária, com 48 milhões de trabalhadores sob o regime da CLT, enquanto o funcionalismo público engloba 13,8 milhões de cidadãos contingente que abrange servidores de carreira, cargos comissionados e pessoal contratado em caráter emergencial.
Expansão do funcionalismo público e sazonalidade
O grande vetor de aceleração do emprego formal na abertura deste ano foi o setor governamental, cujo ritmo de admissões superou a dinâmica do comércio e da indústria. Os vínculos na administração pública registraram uma alta anual de 8,6%, adicionando 1,09 milhão de postos à folha de pagamento do Estado. Em contrapartida, as vagas celetistas privadas cresceram a um ritmo mais moderado de 2,2%, com 1,04 milhão de novas assinaturas de carteira.
A engenharia por trás do salto de 1,39 milhão de trabalhadores entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 apoia-se em dois fatores principais:
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Contratos Temporários: Cerca de 886,9 mil das novas vagas abertas no funcionalismo público no primeiro bimestre foram preenchidas por meio de contratos por tempo determinado;
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Sazonalidade de Início de Ano: O período coincide com a retomada das atividades produtivas em setores que paralisam linhas de produção para férias coletivas no fim do ano, reaquecendo o mercado de recrutamento.
Indicadores regionais e o avanço da diversidade
O monitoramento regional aponta assimetrias no mapa da empregabilidade brasileira. Em termos proporcionais, as regiões Norte (+4,16%), Nordeste (+3,27%) e Centro-Oeste (+2,70%) lideraram o ritmo de crescimento de novas vagas. Contudo, quando avaliado o volume absoluto de carteiras assinadas, as potências industriais do Sudeste mantiveram a dianteira: Minas Gerais liderou a geração de postos com 271,2 mil novos vínculos, seguida de perto por São Paulo, que computou 148,5 mil contratações.
A composição demográfica dos trabalhadores ativos também passou por transformações de inclusão. A presença das mulheres nas folhas de pagamento formais avançou 4,7%, totalizando 28,6 milhões de profissionais e elevando a participação feminina no mercado para 46,1%. O relatório do Ministério do Trabalho indicou ainda um forte incremento na inserção de trabalhadores indígenas, pretos e pardos, além de uma expressiva janela de oportunidades para a juventude, com o ingresso de 1,21 milhão de jovens de 18 a 24 anos no mercado formal.
Massa salarial e revisão técnica nos sistemas do governo
No campo dos rendimentos, os indicadores financeiros exibiram melhora real ao longo do ano passado. A massa salarial mensal global que mensura o somatório de todos os salários pagos no país encerrou dezembro de 2025 em R$ 240,7 bilhões, uma valorização de 2,1%. O setor de prestação de serviços permaneceu como o principal pagador da economia, concentrando um volume de R$ 155 bilhões. A remuneração média do trabalhador brasileiro fechou o balanço de dezembro em R$ 4.369, o que representa um ganho real frente à média de R$ 4.208,6 registrada no início do período avaliado.
Apesar dos resultados favoráveis no estoque de vagas, o corpo técnico do MTE identificou distorções e inconsistências nas declarações de rendimentos enviadas pelas empresas via eSocial. Embora o número total de trabalhadores ativos tenha avançado de forma consistente, o volume de registros com dados de remuneração considerados válidos pela auditoria sofreu uma queda inexplicada, recuando de 55,26 milhões para 53,53 milhões. Em função desse ruído estatístico, o governo federal congelou a divulgação de dados salariais referentes a 2026, optando por aprofundar as análises antes de liberar os próximos relatórios da Rais Mensalizada.