Anvisa aprova novos medicamentos para diabetes tipo 1, câncer de mama e angioedema hereditário, ampliando opções de tratamento no país.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) homologou o registro sanitário de uma nova alternativa terapêutica de precisão para a oncologia no país. Trata-se do medicamento Inluriyo® (tosilato de inlunestranto), uma terapia molecular indicada para o cuidado de pacientes adultos diagnosticados com neoplasia mamária localmente avançada sem indicação de remoção por intervenção cirúrgica ou que já tenham evoluído com metástase para outros órgãos após a realização de protocolos prévios com hormonioterapia.
A aprovação regulatória direciona o uso do fármaco a uma linhagem tumoral com características biológicas e moleculares restritas. De acordo com a nota técnica emitida pela agência reguladora, o composto atua especificamente em tumores que possuem receptores hormonais positivos para estrogênio (ER+), ausência de superexpressão da proteína HER2 (HER2-) e que apresentem mutações comprovadas no gene do receptor de estrogênio 1 (ESR1m), condição frequentemente associada à resistência a terapias endócrinas convencionais.
Mecanismo de administração e perfil epidemiológico
Desenvolvido pelo laboratório farmacêutico Eli Lilly do Brasil Ltda., o Inluriyo® chega ao mercado nacional sob o formato de comprimidos para administração via oral. O medicamento foi aprovado para ser utilizado em regime de monoterapia, ou seja, sem a obrigatoriedade de associação combinada com agentes quimioterápicos tradicionais, o que pode representar um ganho significativo na qualidade de vida e na redução de efeitos colaterais severos durante o tratamento do câncer de mama.
A incorporação dessa tecnologia farmacêutica responde a um cenário epidemiológico crítico na saúde pública brasileira. Notas técnicas da agência reiteram que a neoplasia mamária permanece isolada como o tumor maligno de maior prevalência e incidência entre a população feminina no país, demandando a constante atualização dos arsenais terapêuticos disponíveis no mercado nacional.
Estatísticas e incidência no cenário nacional
Os dados consolidados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) evidenciam a magnitude do desafio oncológico nas redes de saúde. No monitoramento epidemiológico referente ao triênio encerrado em 2025, o Brasil contabilizou uma estimativa de 73.610 novos diagnósticos da patologia por ano. Esse volume expressivo de detecções representa um percentual de 30,1% de todas as patologias oncológicas identificadas em mulheres no país.
A chegada de drogas focadas no bloqueio de mutações como a ESR1m é considerada um avanço pelos oncologistas, pois preenche uma lacuna para pacientes que esgotaram as linhas de tratamento iniciais. O próximo passo para a inserção do Inluriyo® na rotina médica nacional envolve a precificação do produto pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa que precede a distribuição comercial nas redes de oncologia do setor privado e a futura avaliação para incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS).