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Saúde

CFM proíbe uso de PMMA para fins estéticos: entenda o impacto da decisão

O CFM proibiu o uso de PMMA para fins estéticos no Brasil, mantendo apenas uma exceção para casos de saúde ligados ao HIV. Entenda os riscos da substância plástica.

30 mai 2026 - 14h34 Joice Gomes   atualizado às 14h37
CFM proíbe uso de PMMA para fins estéticos: entenda o impacto da decisão O PMMA é um polímero plástico não absorvível que pode causar danos irreversíveis e é de difícil remoção do corpo humano. (Imagem: gerado por IA)

A partir da próxima semana, médicos em todo o Brasil estarão proibidos de utilizar o polimetilmetacrilato, popularmente conhecido como PMMA, para fins estéticos ou reparadores. A decisão drástica foi anunciada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nesta sexta-feira (29) e marca um ponto de virada no mercado da beleza, que vinha sendo abalado por casos sucessivos de complicações graves e mortes de pacientes.

Na prática, isso muda radicalmente o cenário de procedimentos de preenchimento corporal e facial. O PMMA é um material plástico (polímero) que não é absorvido pelo organismo, o que gera riscos de longo prazo que a medicina agora considera inaceitáveis para fins meramente estéticos. A nova resolução deve ser publicada oficialmente no Diário Oficial na terça-feira.

A única exceção para o uso da substância

Embora o veto seja amplo, o CFM estabeleceu uma única e rigorosa exceção: pacientes que vivem com HIV e sofrem de lipodistrofia. Essa condição causa uma redistribuição ou perda de gordura corporal, afetando severamente a aparência e a autoestima desses pacientes como efeito colateral do tratamento ou da própria condição.

Mas não haverá liberdade total nem nesses casos. Para que a aplicação ocorra, ela deve ser realizada exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguir estritamente os protocolos clínicos do Ministério da Saúde. O objetivo é garantir que o benefício à saúde do paciente supere os riscos inerentes à substância.

Por que o PMMA é considerado uma 'bomba-relógio'

Diferente do ácido hialurônico, que é absorvível e seguro, o PMMA funciona como um implante líquido definitivo. Ao ser injetado, ele se adere a músculos, nervos e ossos, tornando sua remoção cirúrgica quase impossível sem causar danos severos aos tecidos vizinhos. É esse caráter permanente que o torna tão perigoso.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) tem sido uma voz ativa contra o uso indiscriminado do produto. Segundo a entidade, as complicações podem surgir anos após o procedimento, manifestando-se como nódulos, inflamações crônicas e até necroses. Casos recentes de óbitos, como o de Roseli Vieira em São Paulo, reforçaram a urgência de uma regulação mais rígida sobre o que pode ser injetado no corpo humano.

O descompasso entre Anvisa e conselhos profissionais

Um ponto que gerava confusão entre pacientes e profissionais era a postura da Anvisa. Até o momento, a agência reguladora entende que o risco-benefício do produto é aceitável, desde que usado para as indicações de bula — que nunca incluíram o uso estético em larga escala, como o aumento de glúteos.

No entanto, a Anvisa sempre deixou claro que a fiscalização da conduta médica cabe aos conselhos profissionais. Com a nova regra do CFM, o vácuo regulatório se fecha: mesmo que o produto continue circulando para a exceção específica, qualquer médico que o utilize para harmonizações ou aumentos volumétricos por estética estará sujeito a sanções éticas e profissionais severas.

Este movimento sinaliza uma proteção maior ao consumidor, que muitas vezes é atraído por promessas de resultados definitivos sem compreender que definitivo, no caso do PMMA, pode significar um problema para a vida toda. O foco agora se volta para a fiscalização rigorosa de clínicas que operam à margem dessas novas diretrizes de segurança.

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