Mancha avermelhada intensa cobriu as águas das praias do Curral e do Veloso, em Ilhabela.
(Imagem: gerado por IA)
Quem passou pelas areias de Ilhabela nesta semana se deparou com uma cena digna de cinema, mas que gerou preocupação imediata. Uma mancha extensa, de um vermelho profundo e intenso, tomou conta das águas nas praias do Curral e do Veloso, transformando o cenário paradisíaco do litoral norte paulista em um mistério que mobiliza especialistas e moradores.
O registro, feito pelo fotógrafo Rafael Mesquita, especialista em vida marinha, rapidamente viralizou nas redes sociais. As imagens mostram a coloração se aproximando da faixa de areia, criando um contraste drástico com o azul habitual da região. Mas, afinal, o que está por trás desse fenômeno que parece tingir o oceano de sangue?
A principal suspeita recai sobre a chamada maré vermelha, um evento natural provocado pela proliferação descontrolada de micro-organismos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) já entrou em ação, coletando amostras para determinar a espécie exata presente na água e se há riscos adicionais à saúde pública ou ao ecossistema.
O papel do micro-organismo Mesodinium rubrum
Embora o nome e a aparência assustem, o grande culpado costuma ser o Mesodinium rubrum. Este micro-organismo não é inerentemente tóxico para os seres humanos, mas sua presença em quantidades massivas altera drasticamente o ambiente local. O fenômeno acontece quando condições específicas de temperatura, luz e nutrientes favorecem uma reprodução explosiva desses seres.
O maior impacto, no entanto, não é a cor em si, mas o que acontece abaixo da superfície. Quando esses organismos morrem e entram em decomposição, o processo consome grandes quantidades de oxigênio dissolvido na água. Essa queda abrupta pode levar à morte de peixes e outros animais marinhos por asfixia, gerando um desequilíbrio temporário na fauna local.
Cuidados e recomendações para banhistas
Até que os laudos laboratoriais sejam concluídos — o que deve ocorrer nos próximos dias —, a orientação das autoridades é clara: evite o banho de mar em trechos que apresentem a coloração alterada. O contato direto pode causar irritações na pele ou desconfortos em pessoas mais sensíveis, além do risco óbvio de ingestão acidental de água com altíssima carga orgânica.
Este não é o primeiro registro de maré vermelha no litoral brasileiro, mas a intensidade desta ocorrência em Ilhabela serve como um lembrete da sensibilidade dos nossos oceanos. O monitoramento contínuo é fundamental para garantir que o paraíso litorâneo recupere seu equilíbrio e sua transparência característica o quanto antes.