Surto de doença de Chagas em Ananindeua (PA) registra 4 mortes e 14 casos em janeiro de 2026.
(Imagem: gerado por IA)
O Ministério da Saúde declarou surto de doença de Chagas em Ananindeua, no Pará, após quatro mortes confirmadas só em janeiro deste ano. Entre as vítimas, está uma menina de 11 anos que passou semanas na UTI antes de falecer. Os números alarmam porque superam todas as mortes registradas na cidade nos últimos cinco anos.
Além das fatalidades, há cerca de 14 casos notificados no mês, o que representa 30% a mais do que no mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, Ananindeua somou 45 notificações, com 26 confirmadas em dezembro. Agora, a Secretaria Municipal de Saúde monitora outros 40 suspeitos.
Transmissão oral pelo açaí preocupa autoridades
A doença de Chagas nesse caso é associada à transmissão oral, principalmente pelo consumo de alimentos ou bebidas contaminados com fezes do inseto barbeiro. Na região amazônica, o açaí desponta como o principal vilão, devido ao alto consumo local. Especialistas apontam falhas na higienização do fruto como causa central dos surtos.
O parasita Trypanosoma cruzi, responsável pela doença, contamina o suco quando o açaí não passa por branqueamento adequado. Esse processo inclui lavagem, desinfecção com hipoclorito de sódio e imersão em água quente a 80°C por dez segundos. Sem isso, o risco explode, afetando famílias inteiras.
Tradicionalmente, os picos ocorrem no segundo semestre, na safra do açaí, mas este surto no início de 2026 foge do padrão e exige vigilância extra, segundo a professora Dilma do Socorro Moraes de Souza, da UFPA.
Ações da prefeitura e Ministério mobilizam a cidade
A prefeitura de Ananindeua enviou 200 agentes comunitários para visitar casas porta a porta, especialmente no bairro Cidade Nova, onde duas mil famílias já foram orientadas. A Secretaria Municipal segue protocolos do Ministério da Saúde, com suporte do Instituto Evandro Chagas.
- Intensificação da vigilância epidemiológica e assistência gratuita pelo SUS.
- Investigação conjunta com Sespa, Anvisa e Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.
- Avaliação sanitária na produção e venda de açaí e outros alimentos.
- Equipe do EpiSUS disponível para apoio local.
Uma iniciativa chave é a Casa do Açaí, projeto municipal que capacita produtores e consumidores em boas práticas. Em 2025, 840 pessoas foram treinadas; em 2026, já são 130, com mais cursos em fevereiro e março. A Vigilância mantém WhatsApp (91) 98051-1967 para denúncias, de segunda a sexta, das 8h às 18h.
O que é a doença de Chagas e como se prevenir
Causada pelo Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas pode ser assintomática no início, mas evolui para problemas cardíacos graves se não tratada. No Brasil, mais de 1,2 milhão de pessoas vivem com ela, muitas sem saber. O tratamento precoce, oferecido pelo SUS, é altamente eficaz.
Além da via oral, a transmissão ocorre pelo barbeiro, transfusão, congênita ou acidentes. Na Amazônia, o foco é na prevenção alimentar. Moradores devem exigir açaí branqueado e denunciar irregularidades.
- Lave bem as mãos e utensílios antes de consumir açaí.
- Prefira polpa pasteurizada ou de fontes confiáveis.
- Ao preparar, branqueie: lave, desinfete e ferva água para diluir.
- Sintomas como febre, inchaço ou cansaço? Procure UBS imediatamente.
O surto em Ananindeua destaca a necessidade de educação contínua na cadeia do açaí, que sustenta a economia local. Com ações integradas, autoridades buscam conter a disseminação e proteger a população paraense. A situação segue monitorada de perto.