Passageiros enfrentam incertezas no Rio de Janeiro diante da possibilidade de nova paralisação de ônibus.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O fantasma de uma nova paralisação no transporte público volta a rondar a rotina de milhões de cariocas. Na próxima segunda-feira, dia 13, rodoviários e empresários do setor de ônibus do Rio de Janeiro se reúnem em uma audiência de conciliação decisiva no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) para tentar selar um acordo e afastar de vez a ameaça de greve.
A reunião anterior, agendada para quarta-feira, foi adiada pelo tribunal justamente para dar fôlego extra às negociações. Enquanto o martelo não é batido, os rodoviários permanecem em estado de greve, um sinal claro de que o sistema de transporte opera sob uma calmaria temporária, que pode ser quebrada a qualquer momento caso as conversas fracassem.
O que muda na prática com o impasse salarial
Na mesa de negociação, o abismo entre o que os trabalhadores pedem e o que as empresas oferecem ainda é o principal entrave. Inicialmente, a categoria reivindicava um reajuste de 17% para repor perdas inflacionárias passadas, além de pisos de R$ 5 mil para motoristas de articulados (BRT) e R$ 4 mil para os demais profissionais.
Demonstrando disposição para o diálogo, os rodoviários flexibilizaram a proposta na última assembleia, reduzindo o pedido de aumento para 12%, a ser pago em duas parcelas. Do outro lado, o sindicato patronal Rio Ônibus subiu timidamente sua proposta inicial de recomposição do IPCA de 4,39% para 4,5% oferta que foi prontamente rejeitada pelos trabalhadores, que também exigem um tíquete-alimentação de R$ 1.000.
Como isso afeta o dia a dia do carioca
Quem depende do transporte público no Rio ainda se lembra do caos vivido no último dia 29 de junho, quando a categoria paralisou as atividades. Naquela data, o sumiço dos ônibus urbanos travou o trânsito, lotou trens e metrôs além da conta e fez com que trabalhadores chegassem com horas de atraso aos seus destinos.
Embora o movimento tenha sido suspenso em 2 de julho para dar espaço à mediação judicial, o risco de um novo apagão nas linhas de ônibus é real. Para os passageiros, cada dia sem acordo representa a incerteza de conseguir chegar ao trabalho na manhã seguinte.
O que pode acontecer a partir de segunda-feira
A audiência de segunda-feira será o divisor de águas. O Rio Ônibus declarou em nota oficial que segue empenhado na busca por um entendimento para "afastar de vez a possibilidade de nova greve", mas o desfecho depende de concessões mútuas sob os olhos da Justiça do Trabalho.
Se as partes encontrarem um meio-termo sobre o reajuste salarial e os benefícios, a cidade respira aliviada. Caso contrário, a categoria poderá convocar uma nova assembleia de emergência para votar o retorno imediato à greve geral, paralisando novamente a engrenagem que move a capital fluminense.