Erro de revisão em documento do GSI insere nomes fictícios em nomeações de militares no Diário Oficial
(Imagem: Foto: Reprodução / Diário Oficial da União)
Uma falha de revisão em um documento de Estado gerou forte repercussão nos bastidores do Poder Executivo em Brasília. Uma portaria oficial editada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República apresentou erros materiais evidentes ao utilizar as expressões populares “Fulano de Tal” e “Cicrano de Tal” para identificar militares transferidos para a equipe de proteção aproximada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto com os termos fictícios foi publicado na edição desta segunda-feira (22).
O texto normativo foi veiculado formalmente nas páginas do Diário Oficial da União (DOU) e tinha como objetivo preencher cargos de assessoria estratégica na Secretaria de Segurança Presidencial. No corpo do decreto, o posto reservado a um major do Exército Brasileiro trazia a inscrição “Fulano de Tal”, enquanto a vaga destinada a um primeiro-tenente pertencente aos quadros da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) aparecia sob o registro de “Cicrano de Tal”.
Padrões de formatação e gratificação do funcionalismo
Apesar do erro crasso de preenchimento de metadados ou manutenção de modelos de texto de rascunho (templates), a portaria seguiu os ritos padrão de aprovação de atos administrativos. O documento oficial de nomeação incluiu uma designação real: a transferência do primeiro-sargento da Marinha do Brasil, Márcio Adriano de Jesus Leite, para desempenhar as mesmas funções de suporte operacional na capital federal.
O ato administrativo possui validade jurídica assinada e apresenta as seguintes especificações institucionais:
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Identificação: Trata-se da Portaria nº 172, datada originalmente de 19 de junho de 2026;
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Autoria: O despacho é chancelado por Vinícius Damasceno do Nascimento, diretor do Departamento de Gestão da Secretaria-Executiva do GSI;
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Remuneração: Os postos dão direito à percepção da Gratificação de Representação da Presidência da República, sob a classificação técnica de Nível IV;
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Vigência: O arquivo em formato PDF e a página digital autenticada do painel do governo permaneceram no ar sem correções durante toda a manhã de segunda-feira.
Resposta institucional e reflexos na revisão de atos
A ocorrência de termos informais em portarias técnicas de segurança institucional expõe fragilidades nos processos de triagem e validação de textos antes do envio à Imprensa Nacional. Especialistas em direito administrativo apontam que o uso de "bonecos" de texto — jargão utilizado para identificar minutas padronizadas preenchidas com nomes fictícios temporários — é uma prática comum em gabinetes governamentais, mas que exige substituição obrigatória pelos dados da folha de identificação militar antes da assinatura eletrônica.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o próprio GSI foram formalmente acionados para esclarecer a origem da falha e informar se uma edição extraordinária do Diário Oficial da União será impressa para retificar as identidades dos oficiais. O episódio gerou debates sobre a necessidade de modernização dos filtros de inteligência artificial e revisão humana nos diários oficiais para evitar a exposição de termos coloquiais em atos normativos de Estado.