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Ter, 23 de Junho
Segurança

Sete estados pedem reforço das Forças Armadas para segurança e logística nas eleições de 2026

19 jun 2026 - 17h59 Alexsander Arcelino
Soldados do Exército Brasileiro fardados marchando em formação com equipamentos de segurança em uma rua asfaltada durante o dia Tropas federais devem atuar na escolta de urnas eletrônicas e no patrulhamento de municípios sensíveis (Imagem: Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

A estruturação das garantias institucionais e operacionais para o pleito de outubro entrou em uma fase de definições estratégicas nas cortes de Justiça. Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de sete estados brasileiros formalizaram pedidos oficiais ao governo federal solicitando o apoio das Forças Armadas. A mobilização das tropas visa atuar de forma coordenada na segurança preventiva de áreas conflagradas e no suporte logístico indispensável para assegurar a normalidade do processo eleitoral em regiões isoladas.

O emprego de contingentes do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira (FAB) configura uma prerrogativa prevista na legislação e recorrente no histórico democrático nacional. Contudo, analistas de segurança observam que, nas últimas eleições, o escopo de atuação militar mudou de foco, concentrando-se no enfrentamento de duas frentes críticas: o transporte seguro de servidores e seções eleitorais em áreas de difícil acesso e o policiamento ostensivo em municípios sob forte influência ou ameaça de organizações criminosas e milícias.

Rito institucional de aprovação das tropas

A presença dos militares nas seções votantes não ocorre de forma automática e obedece a um rito legal rigoroso de partilha de competências entre os poderes da República. O protocolo estabelecido exige o cumprimento das seguintes etapas administrativas:

  • Mapeamento Local: Cada TRE realiza um levantamento técnico de inteligência, identificando os municípios sensíveis e as comunidades isoladas (como terras indígenas e áreas ribeirinhas) que demandam reforço;

  • Corte Eleitoral: Os relatórios estaduais são enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, onde os ministros analisam e julgam a viabilidade jurídica e a urgência de cada caso em sessão plenária;

  • Chancela Presidencial: Uma vez aprovadas pelo plenário do TSE, as requisições são encaminhadas à Presidência da República. Cabe exclusivamente ao chefe do Executivo assinar o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) eleitoral, delegando ao Ministério da Defesa o planejamento logístico e o deslocamento dos batalhões.

Estados solicitantes e o foco em áreas de fronteira e periferias

Até o momento, a lista de federações que recorreram ao suporte federal abrange, majoritariamente, estados das regiões Norte e Centro-Oeste, além do Rio de Janeiro. A forte presença de biomas complexos, como a Floresta Amazônica e o Pantanal, somada ao desafio do controle de fronteiras secas e rotas de escoamento de ilícitos, fundamentou a urgência das medidas protetivas nestas localidades.

Os estados que já formalizaram seus requerimentos de apoio para o pleito de 2026 são:

  • Região Norte: Acre, Amapá, Amazonas e Roraima;

  • Região Centro-Oeste: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul;

  • Região Sudeste: Rio de Janeiro.

O direcionamento das tropas busca blindar os locais de votação de coações territoriais contra eleitores e garantir que todas as urnas eletrônicas sejam coletadas e apuradas sem interferências externas, consolidando a transparência e a legitimidade do processo eleitoral em cada rincão do país.

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