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Diplomático

Lula defende reforço na defesa e alerta para conflito no Oriente Médio

09 mar 2026 - 20h08 Alexsander Arcelino
Presidente Lula durante encontro com o presidente da África do Sul no Palácio do Planalto em Brasília. Lula recebe presidente da África do Sul no Palácio do Planalto para discutir cooperação e cenário internacional. (Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda feira que o Brasil precisa reforçar sua defesa nacional e ampliar parcerias estratégicas para garantir autonomia em áreas sensíveis, como a indústria militar. A declaração foi feita durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Segundo Lula, Brasil e África do Sul possuem desafios semelhantes quando o assunto é segurança e soberania. Por isso, ele defendeu que os dois países ampliem a cooperação para desenvolver tecnologias e equipamentos voltados à autodefesa.

De acordo com o presidente brasileiro, fortalecer a defesa nacional é essencial para evitar vulnerabilidades diante de possíveis ameaças externas. Ele ressaltou que os países do chamado Sul Global precisam investir mais em autonomia estratégica.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou Lula durante a reunião.

Cooperação na indústria de defesa

Durante o encontro, Lula também destacou que Brasil e África do Sul podem trabalhar juntos para desenvolver uma indústria de defesa mais forte e menos dependente de fornecedores internacionais.

Segundo ele, os países não precisam depender exclusivamente da compra de equipamentos militares de grandes potências mundiais. A ideia seria ampliar a produção própria, aproveitando capacidades tecnológicas e industriais já existentes.

A proposta faz parte de uma estratégia de fortalecimento da defesa nacional e também de estímulo à indústria local. O presidente acredita que uma parceria entre as duas nações pode criar um mercado relevante no setor de defesa entre países do Sul Global.

O encontro entre os dois líderes ocorreu após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. A visita oficial do presidente sul africano ao Brasil segue até terça feira.

Apesar de defender maior capacidade de defesa, Lula também reiterou que a América do Sul mantém uma tradição de região pacífica.

Segundo ele, as tecnologias desenvolvidas na região são majoritariamente voltadas para fins civis, como agricultura, ciência e inovação tecnológica.

Preocupação com conflito no Oriente Médio

Outro tema abordado pelo presidente foi a escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente após ataques recentes envolvendo o Irã. Lula afirmou estar profundamente preocupado com os impactos do conflito na estabilidade internacional.

De acordo com o presidente, o aumento das tensões já provoca reflexos na economia global, especialmente no mercado de energia. Ele citou que o preço do petróleo tem registrado alta em vários países devido ao agravamento da crise.

Para Lula, a solução para o conflito passa necessariamente pelo diálogo entre as nações envolvidas.

Segundo ele, negociações diplomáticas são o único caminho viável para reduzir as tensões e buscar uma solução duradoura para a crise.

Além das consequências econômicas, o presidente também destacou os impactos humanitários provocados por guerras e conflitos armados.

Ele afirmou que crises desse tipo afetam diretamente cadeias de produção de energia, alimentos e insumos, além de atingir principalmente populações mais vulneráveis, como mulheres e crianças.

Potencial brasileiro em minerais estratégicos

Durante a declaração à imprensa, Lula também falou sobre o potencial do Brasil na exploração de minerais considerados estratégicos para a transição energética e digital, como as chamadas terras raras.

O presidente afirmou que o país precisa aproveitar melhor esses recursos naturais, desenvolvendo cadeias produtivas que agreguem valor à mineração.

Segundo Lula, o objetivo é evitar repetir modelos econômicos do passado, nos quais o Brasil exportava apenas matéria prima e depois importava produtos industrializados a preços muito mais altos.

Para ele, o fortalecimento dessas cadeias produtivas pode contribuir para o desenvolvimento econômico e melhorar as condições de vida da população brasileira.

Defesa da democracia e cooperação internacional

Lula também confirmou que participará, no dia 18 de abril, de um encontro internacional em Barcelona, na Espanha, voltado à defesa da democracia. O evento ocorre a convite do primeiro ministro espanhol, Pedro Sánchez.

Durante a reunião, líderes internacionais devem discutir temas como regulação do ambiente digital, inteligência artificial e fortalecimento de políticas voltadas à qualidade da informação.

Ao final de sua declaração, o presidente destacou que Brasil e África do Sul compartilham a visão de que países do Sul Global precisam ter participação mais ativa nas decisões internacionais.

Segundo ele, ampliar essa presença é fundamental para garantir maior equilíbrio nas discussões sobre economia, tecnologia e governança global.

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