Presidente Lula recebe Cyril Ramaphosa em visita de Estado para fortalecer laços econômicos.
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma visita de Estado em Brasília. O encontro, realizado no Palácio do Planalto a partir das 10h, tem como objetivo principal ampliar o comércio bilateral e discutir parcerias em setores como turismo e investimentos.
A recepção oficial marcou o início de uma agenda que inclui reunião restrita entre os líderes, encontro ampliado com equipes governamentais e cerimônia de assinatura de atos. Ramaphosa chegou acompanhado de uma comitiva de empresários, o que reforça o caráter econômico da ocasião.
Parceria estratégica entre Brasil e África do Sul
Brasil e África do Sul mantêm uma parceria estratégica desde 2010, o que eleva o nível das relações bilaterais. Essa cooperação abrange temas como defesa, segurança, energia nuclear, investimentos e acesso a mercados, além de diálogos em fóruns multilaterais como Brics e G20.
No atual mandato de Lula, os dois presidentes já se encontraram em eventos internacionais, como a Cúpula do Brics em 2023 e a Reunião do G20 em 2025. Esses contatos pavimentaram o caminho para negociações mais profundas, incluindo a possibilidade de ampliar o Acordo entre Mercosul e a União Aduaneira da África Austral.
A visita de Estado representa um passo concreto para explorar o potencial econômico ainda subutilizado entre as duas nações, consideradas potências emergentes do Sul Global.
Comércio bilateral em números
O fluxo comercial entre os países atingiu US$ 2,3 bilhões em 2025, valor considerado abaixo do potencial pelas duas economias. As exportações brasileiras destacaram-se por carnes de aves (16,2%), açúcares e melaços (8,3%) e veículos rodoviários (6,9%). Já as importações do Brasil concentraram-se em prata, platina e minerais do grupo da platina (53,9%).
- Exportações brasileiras para África do Sul cresceram em produtos agropecuários como frango in natura, açúcar orgânico e milho.
- Importações focam em minerais preciosos, essenciais para indústrias como a joalheira e automotiva.
- Em 2024, o agronegócio brasileiro exportou cerca de US$ 560 milhões para o país africano.
Esses dados mostram oportunidades para diversificação, especialmente após missões técnicas recentes que avançaram negociações sanitárias e comerciais no setor agropecuário.
Agenda completa da visita
Após o Planalto, os líderes seguiram para o Palácio do Itamaraty, onde participaram de um almoço de trabalho e da abertura do Fórum Empresarial Brasil-África do Sul. O evento reúne empresários dos dois lados para identificar oportunidades em agricultura, saúde, educação e empreendedorismo.
Ramaphosa também visitou o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, protocolo padrão em visitas de Estado. A expectativa é a assinatura de pelo menos três acordos nas áreas de turismo, comércio, investimentos e cultura.
O Fórum Empresarial surge em um contexto de priorização da África como mercado estratégico pelo Brasil, com foco em cooperação Sul-Sul e integração produtiva.
Impactos e perspectivas futuras
A visita de Estado fortalece laços em um momento de busca por novos mercados, especialmente diante de tensões comerciais globais. Acordos assinados podem impulsionar exportações brasileiras e atrair investimentos sul-africanos em infraestrutura e energia.
Para o Brasil, isso significa maior diversificação de parceiros comerciais e inserção em cadeias de valor africanas, como a Área de Livre Comércio Continental da África. Setores como micro e pequenas empresas também ganham com propostas de memorandos em inovação e digitalização.
No longo prazo, a parceria pode avançar em segurança energética, com colaborações em petróleo, gás e transição para fontes sustentáveis. Temas como defesa cibernética e exploração do Atlântico Sul também entram na pauta, alinhados à ZOPACAS.
Essa aproximação reforça o protagonismo brasileiro na África, com potencial para multiplicar o comércio bilateral nos próximos anos e gerar empregos em ambos os países.