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Economia

O dilema de R$ 47 bilhões: por que o petróleo na Foz do Amazonas pode custar caro ao Brasil

Priorizar o petróleo na Foz do Amazonas pode gerar um prejuízo de R$ 47 bilhões ao Brasil, aponta estudo da WWF. A aposta em renováveis seria mais lucrativa.

23 abr 2026 - 17h34 Joice Gomes   atualizado às 17h35
O dilema de R$ 47 bilhões: por que o petróleo na Foz do Amazonas pode custar caro ao Brasil Estudo aponta que investimentos em energias renováveis seriam mais lucrativos que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. (Imagem: gerado por IA)

A insistência em explorar petróleo na Foz do Amazonas pode representar um rombo silencioso de R$ 47 bilhões nas contas do Brasil nas próximas décadas.

Um estudo inédito da WWF-Brasil, divulgado nesta quinta-feira (23), aponta que esse montante é a soma do que o país deixará de ganhar ao ignorar a transição energética e o custo social gerado pelas emissões de carbono.

Na prática, a escolha entre o "ouro negro" e a energia limpa não é apenas uma questão ambiental, mas um cálculo econômico que pode definir o fôlego financeiro das próximas gerações de brasileiros.

O que está por trás do prejuízo bilionário

O estudo utilizou a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), uma metodologia rigorosa recomendada pelo Tribunal de Contas da União para avaliar o retorno real de grandes investimentos públicos para a sociedade.

Ao contrário de balanços privados, essa métrica considera o impacto nas famílias e no governo, revelando que a conta do petróleo na Margem Equatorial simplesmente não fecha quando as externalidades entram na equação.

Segundo Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, as petroleiras hoje dependem de um cenário global com pouca ação climática para garantir lucros, algo que vai na contramão das metas internacionais de sustentabilidade.

O impacto prático das emissões no bolso do cidadão

O custo social do carbono é o ponto central dessa perda. A estimativa é que a operação na bacia resulte na emissão de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que geraria prejuízos de até R$ 42 bilhões para a população.

Esses danos se traduzem em problemas de saúde pública, desastres climáticos mais frequentes e a degradação de serviços ecossistêmicos essenciais, custos que raramente aparecem nos prospectos de investimento das gigantes do setor.

"A somatória dos custos de exploração somados às externalidades negativas não é superada pelos benefícios gerados", explica Thá, reforçando que o modelo fóssil está perdendo sua viabilidade econômica frente às novas alternativas.

Por que a eletrificação é a rota mais lucrativa agora

O estudo comparou o cenário do petróleo com a eletrificação da matriz energética, utilizando fontes como eólica, solar e biomassa, e o resultado foi surpreendente para muitos entusiastas do petróleo.

Enquanto o petróleo na Foz levaria pelo menos dez anos para começar a render, a rota da eletrificação oferece um retorno positivo imediato de quase R$ 25 bilhões, sem o risco de ativos "encalhados" no futuro.

Além disso, o uso de biocombustíveis como etanol e biometano apresentou um custo social significativamente menor, mostrando-se uma alternativa estratégica para manter o Brasil competitivo na economia de baixo carbono.

O que pode acontecer a partir disso

Do outro lado da mesa, a Petrobras defende que a Margem Equatorial é vital para a soberania energética e para financiar a própria transição após o declínio das reservas do pré-sal.

O governo federal também vê no recurso fóssil um combustível para as mudanças estruturais necessárias, criando uma tensão entre o lucro imediato da exportação e a segurança climática de longo prazo.

O futuro da Foz do Amazonas agora depende de como o país equilibrará a urgência econômica com a realidade de que a era do petróleo está chegando ao seu crepúsculo. O Brasil está diante de uma escolha histórica que definirá não apenas seu papel ambiental, mas sua saúde financeira global.

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