Irã mantém severas restrições de internet em todo o território nacional.
(Imagem: Canva)
O governo do Irã mantém um bloqueio da internet em praticamente todo o território nacional há mais de 50 dias. A medida foi adotada após o início de conflitos militares envolvendo Estados Unidos e Israel, segundo relatos de organizações internacionais de monitoramento digital.
De acordo com a NetBlocks, a restrição está entre as mais severas registradas nos últimos anos. A conectividade nacional teria sido reduzida para cerca de 2% dos níveis considerados normais.
A interrupção começou poucas horas após bombardeios registrados em Teerã no fim de fevereiro. Mesmo após anúncios de cessar fogo, o bloqueio da internet continua em vigor, afetando milhões de moradores.
População enfrenta isolamento digital
Com mais de 90 milhões de habitantes, o país enfrenta limitações severas no acesso à rede global. Plataformas internacionais, redes sociais e aplicativos de mensagens seguem indisponíveis para grande parte da população.
Embora exista uma rede interna controlada pelo governo funcionando parcialmente, ela permite apenas alguns serviços locais. Isso reduz o contato externo e dificulta a circulação de informações independentes.
Autoridades também passaram a liberar acesso restrito para grupos específicos, como profissionais selecionados e instituições consideradas estratégicas. Esse modelo funciona por meio de navegação parcial e monitorada.
Impactos na economia e no cotidiano
O prolongado bloqueio da internet tem provocado forte insatisfação popular. Moradores relatam dificuldades para trabalhar, estudar, manter negócios e se comunicar com familiares.
Especialistas apontam prejuízos bilionários à economia iraniana, especialmente para empresas que dependem de vendas online, pagamentos digitais e serviços conectados.
Além disso, cresce um mercado paralelo de conexões clandestinas, utilizado por pessoas que tentam contornar as restrições impostas pelo governo.
Críticas internacionais
Entidades de direitos digitais afirmam que a medida limita o fluxo de informações e dificulta o monitoramento de possíveis violações de direitos humanos durante o período de crise.
A NetBlocks classificou o apagão digital como desproporcional e alertou para os riscos de manter a população isolada do restante do mundo.
Mesmo antes da atual crise, o Irã já era conhecido por manter um dos sistemas de censura digital mais rígidos do planeta.